Só a mobilização do povo salvará o Brasil do caos em que o lançam

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As crianças más, mesquinhas e mimadas, preferem destruir um brinquedo a esperar a sua vez de usá-lo.

Embora o Brasil não seja um brinquedo e contenha em si  duas centenas de milhões de vidas humanas,  permitam-me a comparação.

A ambição de poder dos sem-voto – e Michel Temer é muito mais isso do que qualquer líder tucano, até – está detonando uma corrida de apetites que nem mesmo vergonha tem de se exibir.

Porque, é obvio, Temer pode ter a força para retirar um pilar do desgastado Governo Dilma, mas não tem, nem nas próprias forças, nem numa aliança que não seja totalmente subalterna, para erguer outro que não seja objeto de um loteamento faminto do Governo e uma chantagem permanente.

Pior, com várias portas abertas para que não seja o desfecho, mas o intermezzo de uma situação imprevisível.

Eduardo Cunha, depois de ser o principal operador da degola presidencial,  aceitará uma solução que implique cortar o seu próprio?

Os tucanos, agora tão silenciosos, trêmulos diante de sua rejeição na turba de classe média que exige o linchamento, vão se contentar em ter o comando da economia, fazer o serviço sujo de cortar os programas sociais e não ter a hegemonia que a vaidade que lhes assola? Olhem as personalidades de Fernando Henrique, José Serra e Aécio Neves, em ordem crescente de mediocridade e veja se são capazes de se conformar com algo que não o próprio trono…

O lixo geral dos pequenos (e de “boa” parte dos grandes) partidos terá de ser saciado imediatamente, com cargos, financiamentos e contratos. E às vésperas de eleições sem financiamento privado, imaginem…

Marina Silva, cujos apetites fizeram uma pessoa amarga e odiosa que a expressão vítrea dos olhos  mal disfarça, trabalha abertamente para pressionar o TSE, com ou sem impeachment – e com será muito mais fácil – casse o mandato de Temer pelas mesmas razões pelas quais – e apeada do poder e maldita politicamente – se aponta a Dilma e não poderá ela se defender.

Gilmar Mendes, por isso mesmo, tem o eventual “mandato” de Temer preso pela gravata, tal e qual fosse uma coleira e, ao mesmo tempo, é a espada de Dâmocles dos tucanos sobre a cabeça do ambicioso vice, agora tornado rainha desta nada Inglaterra.

Na extrema direita, os dentes do fascismo já procuram mais presas. O jovem energúmeno que foi promovido pela Folha a porta-voz da juventude “coxinha”, já anuncia hoje que se voltará contra Marina e seu “petismo verde”, a dar uma pista de que nova cor de camiseta poderá ser usada sem risco nas ruas.

Sobre Bolsonaro, “o mito”, dispensam-se comentários sobre seus compromissos e intenções.

E do outro lado, o que haveria?

Uma massa ferida e sangrando a destruição do maior líder popular das últimas décadas, que se pode erodir, demolir em parte mas cujos alicerces – e nem as pesquisas o negam – permanecem sólidos e, mais ainda, entranhados profundamente na alma do povão que assiste perplexo o que se passa.

Poderia colocar outros ingredientes explosivos, mas creio que já se viu que o caldeirão dos aprendizes de feiticeiro tem um conteúdo que não pode, em hipótese alguma, desembocar em qualquer situação de estabilidade.

Mesmo que os agentes econômicos possam manifestar certa euforia pós-golpe – pela possibilidade de abocanharem o pré-sal, as reservas internacionais do país (pela via dos juros) e arruinar os direitos trabalhistas e previdenciários -.  a crise política com que potencializaram os problemas da economia não vai cessar, mas agravar-se.

Os “investiment grades” das agências de classificação de  risco são nada perto de um país com as ruas conflagradas.

Contra tudo isso, diante da – tibieza já é muito fraca expressão – anomia do principal garantidor da Constituição, o Supremo, só o que resta é a mobilização do crescente sentimento legalista do país

O povo é a única coisa que nos separa do caos.

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