Sérgio Moro levará Lula ao poder. Em 2018 ou já, agora.

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No início de 2014, quando ainda havia o movimento “Volta, Lula” e o ex-presidente deu uma entrevista aos blogueiros, brinquei com ele, que desmentia a possibilidade de ser candidato em outubro daquele ano, dizendo: “deixe que eles pensem que vai, presidente”.

Lula não gostou, fechou a cara e disse que nem de brincadeira, porque aquilo servia para enfraquecer Dilma, a candidata.

Ética e eleitoralmente ele tinha toda a razão.

E embora na política devam sempre haver ética e eleições, ela vai além disso para um processo de afirmação de um projeto político de natureza popular.

Há um processo dentro das massas populares, não-dito, não-teórico, mas real e profundo. E que acaba, por vias tão tortas que nem se as pode imaginar, se impondo.

O velho Brizola, pra ironizar o processo de escolha dos candidatos na política convencional, dizia que eleição não é corrida de cavalos – “aposto neste, aposto naquele” – mas deveria corresponder a uma necessidade da população.

E o “volta, Lula”, até para desgosto dos petistas sempre cheios de melindres com “personalismos”, populismos e outros ismos, tinha origem num processo político no qual, agora e finalmente, se enxergam as raízes do que se passa agora: os protestos de 2013.

Estava ali, no “apolítico de direita”, na alegação – aliás só aqui e ali pontualmente provada, mesmo nestes tempos de devassa geral – de corrupção na construção das obras da Copa, no “contra todos eles” e até no “não vai ter Copa” que traduzia o “não vai ter Brasil brilhante e admirado”.

Não era o gigante, mas o Brasil-anão que despertara.

Este, branco e egoísta, moralista e imoral, tolo e odioso como o que vemos agora nas ruas.

Dilma, a despeito de suas qualidade pessoais – é uma mulher séria, honrada, austera e digna como poucas vezes já viu a política brasileira – não é uma estadista.

Portanto, não é uma referência para o povo brasileiro, não carrega em si aquele sentido que Cecília Meirelles descreveu como o da liberdade que “que o sonho humano alimenta, (e que) não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”.

Não tenho a menor dúvida de que, hoje, o sentimento pessoal de Lula é o mesmo que o fez fechar a cara diante da brincadeira daquela ocasião que abre este texto.

Quem viveu a experiência da política – e a do Governo – por quarenta anos, do ponto-de-vista pessoal e familiar, se é pessoa honrada, não tem mais vontade alguma de voltar àqueles tapetes.

Sabe, também, que será explorado como “capitis diminutio” para Dilma, porque sua ida para integrar o Governo só pode existir se for para dirigir o Governo, com ela. E, Lula, ao contrário do que dizem seus detratores, sempre foi moderadíssimo nas suas interferências, muito menores do que seriam esperáveis e naturais de quem foi o legitimador não da primeira, apenas, mas também da segunda eleição da Presidenta.

Por último, tem consciência de que seu ato, em busca de um exame equilibrado das investigações – todas pífias – que tem contra si e não da sanha linchatória comandada por Sérgio Moro, vai ser apontado como de covardia, num primeiro momento, e imporá sacrifícios imensos á sua família, que será buscada com sede de sangue pelo juiz (!?) de Curitiba, num processo de caça gigantesco, dividido entre os meganhas com carteira de polícia, de promotor e de imprensa.

Tudo isso pesa e retarda sua decisão.

Ninguém pode adivinhar o que se passa na cabeça de um homem – e de um líder – neste momento.

Mas todos já podem saber que Lula voltará ao governo, agora ou em 2018, por obra do homem que, nele, quis assumir o papel de instrumento de destruição do projeto de afirmação do povo brasileiro: Sérgio Fernando Moro.

Sem tudo o que de perverso, doentio e autoritário que ele fez, sem a crise institucional a que sua obsessão persecutória, o processo político não teria se agudizado e não ocorreriam situações em que os homens são levados, por seus deveres, ao sacrifício imenso de suas vidas pessoais.

E, para quem acha que a crise econômica será sua sentença de morte na condução do Governo, é bom lembrar a  marchinha de Haroldo Lobo e Marino Pinto, quase 70 anos atrás:“Bota o retrato do velho outra vez/Bota no mesmo lugar./O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar/O sorriso do velhinho faz a gente se animar.

 

 

 

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