Quem vai devolver a paz do professor Hicheur?

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Há 20 dias, a revista Época – uma espécie de sub-Veja das Organizações – publicou uma matéria escandalosa sobre o físico nuclear Adlène Hicheur, identificado na capa da publicação como “um terrorista no Brasil” e com uma foto daquelas de identificação em documentos que fazem qualquer um parecer suspeito.

O assunto foi tratado, aqui, não por mim, mas pela colega Florência Costa, com ótima matéria sobre o cientista que veio partilhar seus conhecimentos com os brasileiros e que, agora, vai embora daqui exposto, humilhado e injustiçado.

Hoje, o jornal O Globo publica que “PF e Abin não encontram evidências contra professor investigado”

“Depois de um ano de investigações, que ainda estão em curso e sob sigilo, a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) não encontraram até o momento nada contra o professor franco-argelino Adlène Hicheur, pesquisador do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Hicheur foi condenado em Paris a cinco anos de prisão, em 2009, por ligações com terroristas. As investigações foram reveladas pela revista “Época”

A matéria, ainda assim, continua tratando sem respeito o professor Hicheur: qual é o interesse público em discutir se ele pode estar deprimido por um rompimento conjugal, a menos que a separação tenha sido por conta do escândalo causado pela revista?

O jornalismo brasileiro, salvo exceções cada vez mais raras, passou a agir assim com a honra das pessoas.

Acusa, escandaliza, acumplicia-se a policiais de baixo caráter e faz o diabo para obter seus escândalos, não importa a que preço para a honra e o direito à própria imagem que todos temos.

Se o “escândalo” for uma patranha, uma falsidade, apenas faz-se um registro e pronto.

Sempre se encontra um pusilânime como o Ministro da Educação, Aloízio Mercadante, pronto a bajular as suas descobertas e a dizer que o professor “nem devia” ter entrado no Brasil, embora seja um homem livre e sem qualquer restrição judicial.

Os donos do Brasil falam, quem é um ministro de Estado para discordar e ser apontado como “cúmplice” de terrorista, não é?

Todos saem lépidos e faceiros da imundície que fizeram.

Todos, exceto a vítima: embora continue nas funções de pesquisa, Hicheur teve de parar de dar aulas e muito provavelmente vai nos deixar, levando junto seu conhecimento de partículas subatômicas, uma “bobagem” que qualquer um pode aprender no Google, não é?

E só o que podemos fazer, os jornalistas que prezam a dignidade humana é, no máximo, pedir perdão a Adlène Hicheur pelo monstruosidade que alguns colegas de profissão lhe fizeram.

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