Qual a surpresa com o descontentamento com os rumos do Brasil? Não são os do PSDB?

urucano

Francamente, não causa surpresa alguma a pesquisa Ibope divulgada por José Roberto de Toledo no Estadão, dando conta de que 85% dos brasileiros estão insatisfeitos com os rumos do país.

Primeiro, porque para os 15 ou 20% para os quais as coisas vão – como sempre vão – muito bem, e estão lotando hotéis, restaurante e teatros, as coisas vão mal apenas por razões políticas.

Segundo, porque para os restantes, o rumo que o país tomou no último ano não foi mesmo bom.

Recessão, corte nos investimentos e gastos públicos, elevação dos juros, congelamento dos programas sociais (Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, etc) não podem ser bem vistos pela população.

Afinal, não é essa a política econômica contra a qual a população votou?

E na política, não se fez tudo o que a direita queria? Não passamos a viver o ambiente de histeria e acusações generalizadas e muitas vezes inconsistentes pelas quais a mídia bradava, desde que contra o governo?

Não se publica um anúncio fúnebre do Brasil a cada edição de jornal e revista?

Não fizeram do Governo uma instituição frágil, que tem de se dedicar 36 horas por dia a defender-se, em lugar de agir e governar; e ele próprio, Governo, não se abandonou ao método “Poliana” de que tudo vai passar, que todos vão se entender, que deve ser “bonzinho” com seus algozes, que eles amansarão?

Por acaso cobram do Ministro da Fazenda algo em matéria econômica que não seja continuar com o que foi feito até aqui e que nos levou a este descrédito?

Agora, está esta lenga-lenga que o importante, na reunião do Conselhão – o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social – deve ter como eixo o “ouvir”.

Ouvir é dever permanente do governante e ponto falho desde sempre de Dilma, sobretudo em relação a Lula.

Mas se for para isso a reunião, além de encomendar caixas de lenços para o chororô, há pouco a fazer.

A reunião tem de ser para anunciar medidas que estão mais que amadurecidas e são desejo de todo aquele que trabalha e produz: destravar investimentos selecionados, sobretudo no setor de construção civil – e apontar claramente o compromisso ativo do Governo com a recuperação da economia e do emprego.

Superávits e outros que tais, se são necessários e devem ser buscados, só têm gosto doce para o capital financeiro.

Até porque, sem uma inflexão positiva na atividade econômica, não haverá superávit nem vendendo a mobília do Planalto.

O nosso problema, para além das dificuldades econômica que o mundo nos impõe, e severamente, é ter absorvido a ideologia econômica desta gente.

Não é preciso fazer uma revolução. Basta fazer o óbvio.

A decisão de parar a ensandecida alta dos juros foi um passo.

É preciso dar outros.

 

 

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