Os homens que mandam no Brasil

mandam

Em sua coluna de hoje, na Folha, Gustavo Patu resume, com perfeição, as duas forças que governam o país, enquanto os governos (primeiro o de Dilma e, agora, o de Temer) estrebucham:

Uma é o consórcio de policiais, procuradores e juízes reunidos em torno da Lava Jato. A outra são os economistas e tecnocratas, do Executivo, da academia e do mercado, empenhados na formulação e defesa das reformas.
A primeira conta com amplo apoio da população e a licença para matar —reputações— ao arrepio das garantias jurídicas dos suspeitos.
O poder da segunda emana da recessão devastadora, ainda por ser vencida.

“Nenhuma delas eleita pelo voto popular”, frisa ele, e eu acrescento que toda a legitimidade de que elas dispõem é o complexo de mídia e uma parcela da inteligência nacional que atira ao lixo séculos de esforço de compreensão dos processos políticos e sociais e, como num destes cultos fanáticos, brada contra o Satã da corrupção, que nos desvia do reino dos céus.

Ou os males do Brasil se reduziram à corrupção – sem dúvida, um deles – e  se anuncia, como fez ontem o Estadão, um “rombo” por ela causado de R$124 bilhões em cinco anos, mais ou menos o que os cofres públicos sangram em apenas três meses para alimentar o rentismo?

Claro que nenhum dos dois tem poder absoluto: Meirelles tem de ceder às distribuições de valores que Temer promove para ter sua maioria fisiológica; Janot precisa conter os seus mastins curitibanos, que pouco ou nada faltam para gritar “anauê”. Mas, no essencial, as maldições se resume em duas palavras malsãs: corrupção e gasto público.

Francamente, nem no tempo em que se atribuía às saúvas de seis patas os males desta terra não se via tanta simplificação, aliás totalmente compatível com o viralatismo intelectual, pois, afinal, exceto uns africanos botocudos, não haveria no mundo raça tão corrupta e pobres tão “inúteis” quanto aqui.

Patu mostra que não lhes basta terem destruído o país, é preciso seguir nesta obra:

De um lado, estabeleceu-se um moto-contínuo de prisões preventivas, delações premiadas e inquéritos que manterá a elite partidária e parcela substantiva da empresarial sob investigação por anos.
De outro, inseriu-se na Constituição dita cidadã um dispositivo draconiano que freia a expansão do gasto federal por até duas décadas; na prática, almeja-se uma redução do peso do Estado no PIB sem precedentes no mundo.

É preciso, portanto, a terra arrasada na política para que o processo de sequestro da política econômica pelos interesses se viabilize, como antes se faria numa ditadura que, nestes tempos, não pode mais acontecer cassando o direito de voto.

É preciso, sim, que o povo possa votar. E imprescindível, porém,  que não tenha em quem votar para mudar.

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6 Respostas

  1. Evidentemente que o entreguismo de nossas reservas de minério, petróleo e por fim a Amazônia, com certeza não está sendo de graça, há um preço muito caro que alguém deve está levando em termos percentuais. Não se justifica fazer doações sem levar nada em troca da maneira como estão fazendo.

  2. Francisco de Assis disse:

    Gustavo Patu, mais um jornalista FDP da Folha, capaz de escrever isto: “A leitura otimista é que o país tem conseguido conduzir esse processo doloroso de forma pragmática e, mais importante, sem ruptura institucional.”

    O canalha não viu o golpe de estado com a “assembleia de bandidos com stf, com tudo”, e certamente não teve uma ruptura da cara por um cassetete de um ‘homem vestido de policial’ (como diz a sua Folha) ou um tiro de bala de borracha bem pragmático na bunda ou no olho, para dizer uma coisa dessas.

    Filhos da puta. Os jornalistas, com poucas exceções, quase todas nos blogs progressistas (pois não têm patrões para lamber), são um verdadeiro exército de ocupação do país.

    • leonardo-pe disse:

      Concordo contigo. é mais 1″virgem”que parafraseando o que o Lula disse em 2005″eu não sabia”. e pior,grande parte dessa PODRE SOCIEDADE BRASILEIRA apoia e concorda com essa turma de”Jornalistas”. como disse Mino Carta: Jornalista no Brasil É PIOR QUE PATRÃO!

  3. Paulo Pretinho disse:

    um homem que deixou de ser deputado tucano para ajudar Lula ser o maior presidente do mundo, merece todo respeito e ser tratado com carinho pelo petismo e seus amigos

    • salvador disse:

      Hummmm. E foi ele? Então quer dizer que o Lula era só aquilo que sempre se dizia dele? Ou seja, um analfabeto incapaz de governar uma empresa, que dirá uma prefeitura, um governo estadual ou a presidência de um país. Responde aí pra mim, se o Meireles foi assessor do Governo Lula e hoje é assessor do Governo Temer (com posição até mais efetiva em termos de política econômica), e lá nós tínhamos crescimento da renda e do emprego, e hoje temos desemprego e volta à pobreza, o que deu certo com o Meireles 1 e errado com o Meireles 2?
      Eu fico rindo dos caras que antes não votavam no Lula com a desculpa de que ele não saberia nem administrar a própria casa, hoje dizem que ele é esse ser onisciente, onipotente que comanda um mega esquema de corrupção.
      Ah, esses neurônios coxinhas…..

    • Saint disse:

      Um homem de mil faces,inclusive presidente do Conselho de Administração do grupo JBS e fundador do banco Original.

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