Ombudsman pergunta: “Quem é esse moleque para estar na Folha?”. Não seria o inverso?

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O título da coluna da “ombudsman” da Folha, Vera Guimarães Martins, sobre a presença de Kim Kataguiri como colunista do portal (como se isso fosse menor que ser do “impresso”), entre aspas aí em cima, deveria estar ao inverso: “Quem é a Folha para estar com um moleque destes?”

Porque não é ao que pensa (pensa?) ou é (é?) Kim Kataguiri que a torcida do Flamengo está criticando no episódio.

Afinal, todo mundo tem o direito de ser um inseto mental. Inclusive o Kim.

Como tem o direito de prezar pouco ou nada a democracia, de achar – só achar, porque não é capaz de juntar três argumentos que guardem nexo para isso – que saúde e educação devam ser totalmente privadas e que quem for capaz que se candidate a uma Bolsa-Gilmar na tal franquia de escolas de Direito que Sua Excelência espalha pelo país.

Tem até o direito ao mau gosto de responder mostrando a bunda a um pedido de entrevista.

O que se discute é a atitude da Folha de dar foros de referência a este personagem.

Os assinantes, muitos, que cancelaram a assinatura da Folha por conta de seu novo colunista, receberam uma carta-padrão onde se reproduzem as justificativas da direção de redação:

Ao definir o seu time de colunistas, a Folha procura representar o vigor, a diversidade e a amplitude do espectro de opiniões na sociedade brasileira contemporânea. Kim Kataguiri é um dos expoentes de um movimento combativo, jovem e emergente, adepto de ideias liberais e crítico da esquerda. Fazia sentido, em nosso entendimento, agregá-lo ao nosso quadro de mais de uma centena de opinionistas dos mais variados matizes, ideológicos e temáticos”.

Pule-se a atraente discussão sobre o “expoente”, porque Kim é filho exclusivamente da mídia, que lhe deu destaque e um grupo de garotos de ocupação indefinida. Idem o fato de não se saber o que seriam as tais “idéias liberais”, porque  desconhece-se qualquer ideário “liberal” no rapaz que não seja a abolição do Estado em quase tudo, exceto a Polícia e a Justiça e, talvez, a taxa de juros.

Dispense-se, ainda, o fato de que um jornal que se pretenda nacional deva ter a relevância como critério do que publica e de quem faz publicar.

Reconheça-se: a Folha tem o direito de convidar qualquer um para escrever sob sua marca porque é um negócio e um negociante põe no mostruário aquilo que ele acha que o consumidor deseja “comprar”.

Se é de Kim Kataguiri que a Folha acha que seu leitor precisa, não reclame quando seu leitor se tornar ex-leitor justamente por isso. Quem quiser saber sobre a reação deste “pequeno detalhe” que é o leitor, leia “A luta por cliques na batalha do impeachment“, de Lívia de Souza Vieira, no Observatório da Imprensa.

É por isso que a pergunta não é “o que este moleque está fazendo na Folha”, mas o que é que a Folha está fazendo com ele.

O leitor sabe.

Só, por favor, poupe-nos de defender seu elogio à mediocridade na base do “publicamos o Boulos também” ou com mimimi sobre a pluralidade.

Ou, então, chame o Alexandre Frota para ser crítico de cinema. Afinal, ele faz filmes também e só mostra a bunda para quem deseja vê-la.

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