O rococó do ratatá

Cinco meses, quase, de intervenção militar na segurança pública, quase nenhum resultado (exceto o de aumentar o número de homicídios) e a imprensa prefere, em lugar de avaliar o que está sendo feito sobre as comunidades pobres (e a tranquilidade de todos), repetir termos que ouve e não é capaz de explicar.

Hoje, quando se desfecharam ações de milhares de soldados – e isso não é escala de guerra? – o jornal O Globo publicava um texto do mais hermético jargão militar tecnocrático. Diz que estão sendo feitas…

“As ações de cerco, estabilização dinâmica das áreas e remoção de barricadas fazem parte das medidas implementadas pela Intervenção Federal na Segurança Pública”.

O que será “estabilização dinâmica das áreas”?

Mas tem mais, reparem:

Na operação, a Polícia Militar é responsável pela verificação de denúncias de ostensividade criminosa e de outras condutas ilícitas, pela realização de vasculhamentos e o bloqueio de vias de acesso na região. 

Ostensividade criminosa… Ah, sim, vasculhamentos e bloqueio de vias parecem referir-se a revistas e blitzen

E, sem aspas, faz-se o copia e cola das notas militares, com seu linguajar característico:

Algumas vias e acessos na região poderão ser interditados e setores do espaço aéreo poderão ser controlados, oportunamente, com restrições dinâmicas para aeronaves civis.

Ou seja, não se vai permitir helicópteros sobrevoando as áreas de ação policial.

Quatro mil homens numa operação que, basicamente, se destina – segundo diz ao Extra o chefe de Comunicação do Comando Militar do Leste, Coronel Cinelli – a cumprir mandados de prisão “que vão de criminalidade até prisão por pensão alimentícia e Lei Maria da Penha”!!!!

É espantoso!

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