O que têm a ver as palmas ao Bolsonaro, as vaias a Aécio e a “união” de Temer?

bolsoaecio

Que jabuti não sobe em árvore é dos mais velhos aforismos da política: alguém o colocou lá.

Vai a julgamento esta semana no Supremo a admissibilidade de Emenda Constitucional que implante o parlamentarismo sem a necessidade de plebiscito que o institua e sem referendo que o confirme.

O mesmo parlamentarismo que foi usado em 1961 para impedir que João Goulart, vice-presidente  eleito pelo voto direto tivesse a plenitude dos poderes presidenciais com a renúncia de Jânio Quadros. O mesmo plebiscito que o PSDB tentou emplacar em 1988, na Constituinte.

Não há dúvidas de que, hoje, há número para aprová-la, sem sequer a decência de que se implante no próximo mandato, uma emenda parlamentarista.

Ela é a saída ideal para tucanos e peemedebistas, os quais, como se viu, pouca ou nenhuma importância dão à soberania do voto popular.

Tirar Dilma pelo impeachment, embora mais fácil que há dois meses, com os movimentos recentes de Renan Calheiros, ainda assim não é tarefa fácil. E teria a “desvantagem” de dar o cargo a Michel Temer com poderes totais.

Pela cassação do mandato via TSE, embora a figuras sombrias de Gilmar Mendes e Dias Tóffoli possam facilitá-lo, levaria junto o mandato em potencial de Temer.

Nesta solução, porém,  terão de enfrentar novas eleições e sabem que não apenas o PMDB não tem votos como o PSDB vai ter um naco comido pela extrema-direita que o movimento golpista  iniciou e insuflou e já tem agora (eu ia dizer luz, mas me contive) trevas próprias.

Não é um “folclore” como o Pastor Everaldo ou Levy Fidélix.

E nem Aécio nem Alckmin, como se viu hoje na paulista, são os heróis da Paulista.

Com o parlamentarismo, Temer poderia assegurar o espaço para seu ego e pretensão de ser “o homem para unir este país” e entregar o comando do governo, especialmente sua área econômica, aos tucanos, mais o posto de Primeiro-Ministro a Aécio. O resto? Bom, do resto faz-se farta e fisiológica distribuição no parlamento.

E, como num passe de mágica, surge então um caso judicial de 1997 para se oferecer como porta de saída para o “golpe dentro da legalidade”.

Sem prejuízo, inclusive, de avançar com o impeachment de Dilma e dar a Temer, como é sua ambição, a oportunidade de posar de nossa Rainha da Inglaterra, levando junto, claro, como dama de companhia, o inefável Moreira Franco.

Parece ficção?

Não creia nisso. Ou creia que a política, no Brasil, é uma peça de ficção, e de muito má qualidade.

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