O MP da Lava Jato, sem vergonha do propósito de atingir Lula e de chantagear com delações

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A delação premiada, no Brasil, passou a assemelhar-se à corrupção, que é “paga”, em lugar de dinheiro, com as acusações incriminatórias desejadas, pelas quais  se recebe não apenas a imunidade (ou a “quase”) penal futura mas também o “direito” de sair da cadeia prévia.

Mas, se não “pagar” – com acusações às “pessoas certas” – vai ser perseguido, desmoralizado, processado e, enquanto isso, ficar tomando um chá de cadeia.

Ontem, o chefe da tropa de procuradores da Lava-Jato, passou a nem mesmo esconder seu alvo:

“Neste momento, o ex-presidente não faz parte da investigação”, disse Carlos Fernando Santos Lima, o ‘cabeça-branca’ da turma do jovem e ansioso grupo de procuradores (literalmente, aliás) que trabalham com Sérgio Moro não se acanha de dizer:”O que nós temos até agora (sobre Lula) são só notícias da imprensa”.

A crise de sinceridade do promotor -“por enquanto” é um daqueles atos de expressão de vontade inescondíveis – revela mais, porém, que o desejo já nem tão secreto que move os “investigadores”.

Confessa que sua ferramenta é, essencialmente, a mídia.

Menos mal se a mídia estivesse investigando.

Mas ela não investiga, apenas ecoa, sem qualquer crítica, o que as politizadas equipes do Ministério Público e o próprio Moro fazem.

Um exemplo bem claro: alguém perguntou porque Paulo Roberto Costa “lembrou” agora do “trocado” de US$ 5 milhões (ou três milhões, ele ainda não acabou de lembrar) que teria recebido para intermediar mudanças no contrato de compra de nafta pela Braskem. Pois foi assim, na narrativa de seu próprio advogado, que registrei aqui:

“De acordo com ambas as defesas, o único “ponto de convergência” obtido na acareação foi com relação a um pagamento de propina feito pela Braskem ­ braço petroquímico da Odebrecht ­ para uma compra de nafta. (…)“O advogado João Mestieri, que representa Paulo Roberto Costa, confirmou a convergência entre as versões. “No primeiro momento, o Paulo Roberto Costa disse que não participou disso, porque não se dava com o diretor­-presidente [da Braskem]. Aí começaram a rememorar uma série de questões para então chegar à admissão de que isso ocorreu”, afirmou.”

Mas, como assim, se, hoje, em O Globo, Costa disse que sua ação foi “apenas para agilizar a entrega dos pedidos de nafta da Braskem” pois sua diretoria de Abastecimento não tinha poder de decisão sobre preços.

Mas qual a razão, afinal, haveria para pedir – e pagar – por seus “bons ofícios” se a Petrobras não apenas é a única vendedora de um produto que só tem dois compradores (Braskem e Ipiranga), mas é sócia da empresa compradora, pois possui 47% do capital da Braskem? Será que, inclusive indicando integrantes da direção da empresa, era preciso recorrer a um propineiro que “não tinha poder de decisão sobre preços” apenas para ” agilizar a entrega dos pedidos de nafta da Braskem”?

Se a Odebrecht pagou a Paulo Roberto Costa não foi assim, nem por esta razão de “negócios”, pode até ter sido por outros.

Mas a imprensa não pergunta, não investiga, não esclarece obscuridades e contradições.

Repete, como um papagaio amestrado, apenas o que ouve.

Tem toda razão o Arnaldo Cesar, em seu artigo no blog do Marcelo Auler, (aqui, na íntegra)em dizer:“O fato da moda, nestes tempos de Lava Jato, é que o ex-presidente Lula e a atual presidente Dilma Rousseff poderão ser conduzidos para uma daquelas celas geladas da Polícia Federal, em Curitiba, no Paraná. O implacável juiz federal, Sérgio Moro, já estaria tomando todas as providências necessárias para mandar encarcerar os dois líderes do PT.

Tudo que se leu no parágrafo acima está eivado de ilações e suposições. Não há nenhum fato comprovado. Mas, é assim que se faz notícia hoje em dia. Atira-se primeiro e pergunta-se depois. Um dos principais fundamentos do jornalismo, a apuração/checagem da informação, está em total e absoluto desuso. O bacana agora é fazer militância escancarada no noticiário”.

Consolemo-nos, porém. Também passou-se  a seguir a mesma regra no Judiciário, embora ganhando muito mais para isso.

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6 Respostas

  1. renato arthur disse:

    Pergunta óbvia e o Judiciário do restante do País é conivente? A OAB, o STF não se manifestam? O PT no congresso não vai para a tribuna exigir prova desse maniqueísmo? E a presidente Dilma não convoca uma cadeia de rádio e TV e exige explicações? E o Ministro da Justiça por que não vai conferir as condições em que se encontram os presos e garantir todo o direito de sua defesa? Que covardia é essa? A Partir de agora nenhum cidadão no nosso pode se considerar seguro e apto a exercer a sua liberdade.(isto é se for coxinha e militante da direita pode).

  2. renato arthur disse:

    Do Blog do Nassif- texto de Andre Araujo- mostrando a diferença de visões entre Brasil e USA.
    Os EUA tem instituições muito sólidas, é um país que obedece regras. Mas há um outro aspecto. Os EUA tem PROFUNDA noção de interesse nacional. Esses, quando necessário, se sobrepõe às regras e aos princípios. A celébre frase de Roosevelt sobre Anastasio Somoza, ditador da Nicarágua:”Esse é um filha da puta (literal) mas é o NOSSO filha da puta” revela esse sentimento. Na América Latina, os EUA patrocinaram ditadores execráveis como Somoza, Rafael Trujillo, François Duvalier, Gerardo Machado (Cuba), Fulgencio Baptista (Cuba), Juan Vicente Gomez e Marcos Pérez Jiménez (Venezuela), Rojas Pinilla (Colombia), Manuel Odria (Peru), Rios Montt (Guatemala), Carlos Castillo Armas (Guatemala), Manuel Noriega (Panamá), fizeram sempre com base no interesse nacional americano. Por esse mesmo interesse apoiaram Saddam Hussein, Hosni Mubarak, a dinastia Ibn Saud, Ferdinand Marcos (Filipinas), Ngo Diem (Vietnam), Generalíssimo Chiang Kai Shek, o maior corrupto do Século XX, na China.
    Eu fico pasmo na questão da Lava Jato em se descartar a QUESTÃO POLÍTICA ao recorrer ao Departamento de Justiça dos EUA para investigar a Petrobras e agora investigar a Odebrechtcomo se o D of J fosse a Santa Sé impoluta (nem essa é) a operar com absoluta neutralidade em uma questão tão próxima ao interesse americano. Comentaristas aqui acham isso normal. Eu acho uma aberração. Os EUA, e eu não os censuro por isso, não seriam uma potência mundial se fossem bonzinhos. NÃO SÃO. Ao entregar de bandeja PETROBRAS e ODEBRECHT para eles investigarem, estamos abrindo mão de capital estratégico nacional.”Ah, mas temos acordos de cooperação entre os Ministerios Públicos”. E daí? Os acordos são para serem usados quando interessa ao Brasil, nesse caso não interessa. Com base nesse “Acordo de Cooperação” o Departamento de Justiça pediu ao Brasil para investigar a Chevron? Claro que não. Esses acordos foram pensados para combate ao crime de tráfico, terrorismo, contrabando, a idéia não é perseguir empresas, os EUA nunca pediram ao Brasil para investigar uma empresa americana.

  3. ANA RAMOS TERRA disse:

    De tudo que já se viu, resta-nos concluir que uma boa parte daqueles que dizem que são da ‘justiça’ trabalham na verdade para o oposição, a mídia piguista e a elite sonegadora do Brasil. São a banda podre, corrupta e perseguidora dos trabalhadores que estão no judiciário, na PF e em outras instituição da República. Não podemos aceitar essa comportamento deles, pois SÃO TODOS SERVIDORES BEM PAGOS PELO POVO, assim são servidores públicos, não tem que ter lado. Por isso, meu grito de indignação contra as perseguições contra o PT, quando os escândalos e corrupções do PSDB e do PIG e da elite sonegadora são ‘esquecidos’ quando não são engavetados.

  4. sergio navas disse:

    Esses tucanos, são todos quinta coluna, agentes infiltrados da CIA, antipatriotas e canalhas.

  5. maria meneses disse:

    Renato Arthur, você está coberto de razão. e eu não sei quem está de acordo (a não ser toda a direita golpista) com essa canalhice. Gde abraço.

  6. ricardo silveira disse:

    A justiça não pode virar um partido político em hipótese alguma. Ainda mais esse partido de coxinhas vira-latas, claramente contrários ao desenvolvimento do país para todos. A quem o cidadão recorre? Esse espetáculo tem que acabar, essa avacalhação da justiça é inaceitável.

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