O moralismo pornográfico

Picareta

Ocioso perder tempo com a discussão do que é “moral” ou “imoral” em se tratando de expressão humana, de arte ou mesmo de pseudoarte.

Qualquer coisa que não envolva terceiros à revelia, sedução de menores, prática de crimes contra a pessoa, e que não se seja obrigado a participar ou ver é um problema privado.

Também não há, nestes tempos de internet, porque falar que imagem sexuais que sejam chocantes, quando com três ou quatro cliques se tem imagens de sexo com quem ou o que se deseje: homens, mulheres, girafas, dinossauros, extraterrestres.

Portanto, é dispensável qualquer argumentação sobre este caso da turma do MBL, o museu gaúcho e o Santander

Não há moralismo reacionário algum de parte destes rapazes, capazes de responder a perguntas de uma jornalista com um pênis de borracha.

É tudo política e marketing, nada mais. E quanto mais se debate isso, com proclamações ingênuas de liberdade, mais se lhes faz o jogo.

Tudo o que querem é se legitimar perante a parcela da sociedade que é imbecil, hipócrita e, desde muito antes do Savonarola já tão citado, está preocupada com a “decadência dos costumes”.

E não para sustentar ideias, mas para desqualificar seus adversários políticos como devassos, promíscuos, pedófilos ou outros conceitos supostamente “morais”.

Como não são capazes de exibir, nua, a sua estupidez, precisam constantemente apontar o outro como imoral.

A mídia lhes dá apoio, como matilha útil que são, promovendo-os com igual hipocrisia, até para mostrar-se “árbitra” social, julgando que “isso pode e isso não pode”, o que é (ou deveria ser) tudo uma questão de vontade e espaço.

Imaginem o David de Michelângelo numa reunião das senhoras de Sant’anna. Ou uma visita guiada da TFP ao Museu  Rodin e a sua  L’Éternelle idole . Ou ainda, uma excursão do MBL ao templo de Khajuraho, um dos mais populares destinos turísticos na Índia, coberto de esculturas eróticas de mil anos. Milhares de pessoas, muitas famílias e adolescentes os visitam e não há notícia de que se tenham produzido tarados violentos entre os que foram vê-los.

Não importa fazer comparações “artísticas” entre estes e o acervo da tal exposição, não é isso o que se discute. A questão é mais simples: é a hipocrisia deste moralismo e o que ele visa ( e consegue, quando queremos debater isso ). Não é uma discussão LGTB ou XYZ, é apenas uma autopromoção idiota em que eles querem usar a indignação que provocam como combustível de seu marketing.

Alguém realmente acha que vale a pena polemizar com isto?

É mais fácil usar o método Kim: mandar para eles um martelinho destes em forma de picareta e perguntar se iriam a Piazza della Signoria “podar” as partes pudendas de David (não se preocupem é só uma réplica que está lá), ou a Paris, para picotar a imoralidade dos amantes de Rodin ou, quem sabe, uma “missão civilizatória” na Índia, pondo abaixo aquelas surubas pétreas. “Cês” não são valentes?

Não vão, não é? Porque é isso que seu moralismo é: apenas uma picaretagem política.

Quem nasceu para MBL nunca chega a Estado Islâmico.

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