Imposto alto? É: para pobres e para a classe média que bate panelas pelos ricos

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Cássia Almeida, no insuspeito O Globo, mostra o que muita gente sabe mas não diz, quando grita contra a alta carga tributária no Brasil.

Porque é verdade que ela é alta, alta ao nível de países desenvolvidos: 33% do Produto Interno Bruto.

Mas o que ninguém fala – e é mais importante – é que ela é muito mais alta para os pobres e para a classe média do que para os  ricos e super-ricos, graças a uma medida editada no governo Fernando Henrique Cardoso  e que isenta de Imposto de Renda o dinheiro auferido pela pessoa física como lucros, dividendos e juros sobre capital próprio de empresas de que sejam donos ou sócios.

O argumento é o de que, como a empresa paga imposto de renda (alíquota de até 15%) o dinheiro que dela os seus proprietários recebem não poderia ser tributado.

OU seja: se a empresa transferir-lhe lucros de R$ 1 milhão, seu imposto por receber isso pessoalmente será zero.

Os muito ricos no Brasil pagam pouco Imposto de Renda (IR) em relação ao que ganham. A alíquota do tributo direto cresce conforme o rendimento aumenta, mas somente de R$ 24,4 mil anuais até R$ 325 mil, quando atinge 12% dos ganhos. Quando a renda supera esse patamar, essa alíquota entra em trajetória de queda, chegando a 7% para quem ganha mais de R$ 1,3 milhão por ano.

Num gráfico montado pelo professor de economia da Unicamp Fernando Nogueira da Costa, sobre o qual faço agregações, fica claro que os 10% mais ricos entre os brasileiros têm uma isenção de IR quase equivalente ao dobro dos 10% mais pobres, cuja “isenção” é, na verdade, o resultado da miséria que ganham, que não chega ao patamar mínimo de tributação.

No estudo de Rodrigo Orair, Sergio Gobetti,Evilásio Salvador, Marcelo Medeiros e Fábio Castro, Perfil da Desigualdade e da Injustiça Tributária , do Ipea, que serve de base á reportagem os números são claros:

Os “Grandes Números do IRPF” revelam que, em 2013, dos R$ 623,17 bilhões de rendimentos isentos de IR, em 2013, R$ 287,29 bilhões eram de lucros e dividendos recebidos pelos acionistas; R$ 44,13 bilhões, de lucros obtidos na alienação de bens; e R$ 33,05 bilhões, da parcela isenta da atividade rural.

Portanto, de R$ 623 bilhões dados como isenção, quase 60 por cento se referem a ganhos empresariais. Que é maior quanto maior é o ganho, chegando a uma alíquota de meros 3,53%  para  quem tem renda anual superior a 160 salários mínimos, ou R$ 150 mil, hoje, aproximadamente.

 
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22 Respostas

  1. Homem das Borgas disse:

    Enquanto isso os idiotas continuam a colocar a culpa no PT !!

    Sinceramente, classe média coxinha deve deter os “humanos” mais imbecis do planeta , queriam derrubar o PT por causa dos pobres nos aviões ( grosso modo ) mas terminarão tendo que disputar espaço com eles nos ônibus.

    Sintetizando, vamos alimentando o monstro com nossa própria carne, só que agora, livres do PT e dos pobres no aviões, universidades, shoppings e congêneres, fingimos que somos ricos….eita povinho de merda !!!

  2. Valdeci Elias disse:

    O povo tem que eleger, representantes que cobrem impostos dos ricos. Só a Educação , pra resolver os problemas do país a longo prazo, e quem vai bacar isso são os Ricos pagando impostos.

  3. ernesto disse:

    O IR pode chegar a 25%, mais as “contribuições” como CSLL. Na prática, além de todos os impostos diretos, mais ou menos um terço do que a empresa lucra vai para o governo (isso quando lucra, porque quando tem prejuízo este é só dela e os impostos diretos devem ser pagos igual).

    Se além disso você cobrar IR do empresário, na prática vai levar o imposto sobre o lucro para uns 50%. Me parece muito. E parece que até a extrema-esquerda concorda comigo, porque em 14 anos não se preocupou em mudar isso.

    • Homem das Borgas disse:

      Tão justo que somente Brasil e mais um obscuro país não tributa a distribuição de lucros aos sócios.

      • ernesto disse:

        Essa história de que o Brasil não cobra IR do empresário é só demagogia para enganar quem desconhece tudo sobre o assunto. Se você cobra o IR da empresa e depois distribui o lucro tanto faz. É até mais prático cobrar assim, da PJ. E o que interessa é quanto se cobra no total. Se fosse para aumentar você podia dobrar o valor e cobrar 70% do lucro da empresa.

        • Homem das Borgas disse:

          Não mistifique , seja claro, proponha soluções para o absurdo do mapa exposto no post.

        • salvador disse:

          Pq os caras que apresentaram o estudo não sabem de nada, não sabem nem comparar com as práticas idênticas de outros países, só vc é que sabe tudo. Acho até que vc deve ser o próprio Everardo Maciel

        • Guilherme disse:

          Não seria nesse caso mais justo tributar não a empresa, mas os dividendos aos seus acionistas? Uma coisa é o pequeno investidor que tem meia-dúzia de ações e o bilionário que tem milhões delas. No ajuste anual do IR ficaria neste caso mais explícita a diferença entre o sujeito que tenta uma complementação para a aposentadoria e o sujeito que quer dar um Lamborghini para seu pimpolho no dia “das crianças”.

          • Salvador disse:

            Por mim taxaria os dois e pronto. Não a que se falar em bitributação, fatos geradores distintos.

          • Homem das Borgas disse:

            Existe o princípio da entidade, este separa a empresa do seu ou seus sócios, portanto, inexiste a dupla tributação.
            Pode-se até pensar em reduzir a tributação para empresas a depender do porte, embora o Super Simples já faça isso muito bem com as verdadeiramente pequenas. Mas que tem que ser tributado a repartição dos resultados , isso é claro, óbvio até, exceto na sociedade escravocrata brasileira.

    • salvador disse:

      Mais uma vez o argumento na base do cinismo. Não tentou pq não tinha forças (sabendo-se que quem detinha a chave do cofre era sempre um “alinhadinho ao mercado”). Por esse teu argumento vai dizer que a “extrema” esquerda tbm não tem vontade de regular a mídia (quero ver tu afirmar isso, sabendo que sempre disse o contrário). É quanto a taxar fortemente os ganhos de renda devê ser mesmo uma excrescência já que todo o mundo desenvolvido (que vcs muito mais do que nós amam citar) praticam. Mas é assim mesmo, o que é uma bosta lá fora, as moscas daqui aderem de primeira, já o que é bom… É como diz o Ciro: todos intoxicados com essa ideologia de quinta vendida como ciência boa

      • ernesto disse:

        Censura = tentou e não conseguiu.
        Mudança do IR = não tentou.
        Onde está o cinismo? Em dizer a verdade?

        Quanto ao tal estudo, não sei como é o mundo todo, mas sei que no Brasil uma empresa de certo porte deixa cerca de um terço do lucro para o governo. E o sócio é “isento” porque já foi cobrado antes, como PJ. Se você quer defender que o imposto deve ser maior, defenda. Mas isso não tem nada a ver com cobrar da PJ e não da PF, não é preciso usar essa demagogia de que “o rico não paga IR”. Inclusive, é muito mais prático cobrar como nós fazemos, da PJ.

        • Salvador disse:

          Regulação, desconcentração, como fazem Argentina, Inglaterra, EUA (como se sabe, estes verdadeiras hostes do bolivarianismo). Sequer tentou. Houve, nos estertores do governo Lula, uma conferência Nacional de comunicação, idealizada por Franklin Martins, em que se produziu um projeto de desconcentração midiática, se tu é tão informado assim, deve saber o que o Paulo Bernardo fez com ele.
          Quanto à questão de taxar lucros e dividendos da PF também não foi tentado (outro erro do nefasto governo “bolivariano” do PT), pois os manda-chuvas da economia (Palocci e quejandos) representavam muito bem (decepção por tratar-se de um governo progressista) o mercado financeiro. Aumentar na PJ e implantar na PF, se todo mundo da OCDE faz e o Brasil antes do trevoso período FHC (que, por necessitar desesperadamente de capitais voláteis, depois que um certo Armínio Fraga quebrou o Brasil 3×, extinguiu a cobrança) fazia, só um tolo, manipulado pelas Leitões e pelos Sardenbergs da vida, vai defender que isso é contraproducente.

        • Salvador disse:

          O teu cinismo está em omitir que qualquer proposta que os governos do PT colocassem em pauta, e que representassem históricas bandeiras de sua luta, era prontamente rechaçada pela coalizão politica vigente (inclusive aquela que lhes dava sustentação e que adubada – o termo é esse mesmo – por uma ignorância cavalar da classe média – vulgo coxinhas -sentiu -se forte o suficiente para soltar os arreios e dar um golpe de estado). Percebe, seu asno, o instrumento medíocre que tu é na mão dos espertos?Babaca.

  4. Homem das Borgas disse:

    Taí o resumo da Ópera…o professor Jessé de Souza explica com magistral sapiência, vide;

    https://www.conversaafiada.com.br/

    • Messias Franca de Macedo disse:

      “A Globo e a Lava Jato criminalizaram a demanda pela igualdade entre nós no Brasil! E um dia alguém irá pagar por este crime hediondo.”
      Por eminente e impávido sociólogo Jessé de Souza
      A GLOBO É A BOCA DO CAPITAL FINANCEIRO
      Jessé: o verdadeiro roubo é o do mercado! A elite brasileira é saqueadora
      https://www.youtube.com/watch?v=O85ANHG7C30

  5. Guilherme disse:

    A classe média alta é ignorante e alienada.

    Não é de se admirar que seja uma “fábrica de bílis” quando o assunto é corrupção (oi um governo mais voltado para o social).

    Já tinha cogitado essa hipótese (alta carga tributária sobre esse segmento). Só que os imbecis fazem o jogo dos super ricos sem perceber.

  6. Messias Franca de Macedo disse:

    Garcia Lorca, Gilberto Gil e a Ignorância – e o Estado contra o povo
    Por emérito e destemido artista Bemvindo Sequeira
    https://www.youtube.com/watch?v=bb6qANvbla4

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