O “fusível” desarmou, como devia. O resto é especulação e “dança da seca”

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Não se discute questões técnicas com blá-blá-blá político, mas com dados técnicos.

A falta de luz em cerca de 5% dos consumidores das regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste não tem nada a ver com a falta de chuva, a não ser no fato que a administração prudente do nível dos reservatórios do Sudeste  recomenda que se transfira mais energia de onde eles estão mais bem abastecidos – a região Norte – para onde a estiagem faz  eles estarem mais baixos e  a demanda de energia está maior.

Os dois gráficos aí  de cima mostram uma coisa e outra.

O nível dos reservatórios não é o ideal, mas está acima do que se registrava no ano passado, mesmo produzindo quantidades recorde de energia.

O defeito em uma das linhas de transmissão pode ter tido qualquer causa, inclusive a de excesso de carga. Quando ela caiu, aí sim é quase certo  que a segunda linha a apresentar problemas tenha sido por excesso de carga, pelo fato de o problema ter surgido no novo horário de pico de carga, o meio da tarde, em razão do calor.

E o sistema, tal como o fusível do chuveiro elétrico, desarmou. Afinal, as proteções são feitas para isso, proteger.

E fazer o que seria um “apagão” ser um “apaguinho”.

O sistema elétrico nacional não opera, é verdade, nas condições ideais. Mas a capacidade de geração cresceu e a de transmissão mais ainda.

É certo que nenhum investimento em expansão de geração e transmissão é o bastante frente ao crescimento da demanda por energia no Brasil.

Em fevereiro de 2012, foi batido um recorde de carga no Brasil e no Sudeste: 74 GW e 44GW, respectivamente.

Ontem, novo recorde: 84,3  GW e quase 51 GW no Sudeste.

Isso nada tem a  ver com a chuva, que anda escassíssima, exceto pelo calor e o consumo. Em janeiro, no Rio, foram dois dias de chuva em janeiro.

Deve-se esperar a razão técnica do “desarme” parcial das linhas, ontem.

Assim como é preciso esperar a evolução das chuvas.

Claro que amanhã, se é que já não soltou hoje, o PSDB soltará uma nota oficial sobre como Dilma é a responsável.

É algo tão idiota quanto culpar Alckmin pelo nível do reservatório da Cantareira.

Mas idiotice é o que mais chove na política brasileira.

Que tem gente, a esta altura, fazendo a “dança da seca”, para ver se chove no seu roçado eleitoral.

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