O Estadão já foi melhor nisso…

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A desgraça do jornalismo “de campanha”, onde o denuncismo fala mais alto que a informação, é que ele é antes de tudo, daquelas coisas para durar a existência, já agora não mais a de um dia do jornal, mas de alguns minutos no portal de notícias.

Manchete do Estadão, agora: Executivo diz à PF que empreiteira ( Queiroz Galvão) fazia doações a PT, PP, PMDB ‘e mais alguns’. E anuncia que Ildefonso Colares Filho “detalha em depoimento”.

Detalha?

Pelo menos no que se transcreve na matéria, não há um detalhe sequer.

O tal Ildefonso, perguntado sobre quais eram os critérios para as doações, diz que o primeiro deles era “o limite”, que deveria estar “aquém do permitido”.

Ora, para qualquer pessoa minimamente capaz de raciocinar vê que o cidadão, portanto, está falando de doações legais, sem o que não haveria razão de falar em “limite” ou “aquém do permitido”.

Tanto que não há uma vez, no texto, a palavra ilegal.

Assim, básico, elementar.

O que há é a negativa do executivo da empreiteira de que o atual diretor de Abastecimento da Petrobras, Júlio Cosenza, tenha recebido propinas.

Francamente, para arranjar uma manchete dizendo que a a empreiteira Queiroz Galvão “fazia doações a PT, PP, PMDB ‘e mais alguns'” não é preciso se dar ao trabalho de obter com a ajuda de “policiais isentos” cópia do depoimento de um executivo da empresa que foi preso, se não é para falar de doações ilegais ou propinas.

Basta acessar a página do TSE  e ver a quem ela doou. Para saber, inclusive, quem são os “alguns”.

Além dos citados, são, em 2010: o PSDB, o então DEM, o PTB ( da coligação de José Serra), o PR, o PSB, o PC do B e até o minúsculo PHS.

Isso, apenas nas doações para partidos, nas feitas para candidato repete-se o leque partidário.

Isto está lá  no site do TSE  desde  quatro anos antes da “sensacional” revelação do Estadão.

Ou seja, os leitores do jornal – ao menos os que ainda querem ter alguma informação relevante – estão sendo vitimados por um jornalismo de quinta categoria, para garantir que o “espetáculo” não tenha intervalo.

Ou é má-fé ou se trata de iludir a boa-fé do leitor, deliberadamente.

Deprimente…

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