O despertar das bestas

besta

Os desembargadores do TRF-4 deveriam ler os comentários dos leitores da Folha ao vigoroso artigo de Mário César Carvalho, no qual ele reage ao espetáculo deprimente encenado ontem em Curitiba no qual ele reage ao espetáculo deprimente encenado ontem em Curitiba com Sérgio Cabral sendo exibido acorrentado aos fotógrafos pelos “policiais da Lava Jato”, este troço disforme que se formou sob a batuta de Sérgio Moro e dos garotos dallagnol, tal como se fez neste blog, inclusive nos conceitos terríveis sobre o ex-governador.

A humilhação das correntes nos pés tem um parentesco óbvio com a condução coercitiva, mecanismo que a Lava Jato usou e abusou até ele ser vetado em caráter provisório pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.
A condução coercitiva tinha como função espezinhar o investigado, apesar de os procuradores, a Polícia Federal e até juízes alegarem que era para evitar que os investigados combinassem versões sobre os fatos investigados. O problema é que a lei não prevê o uso da condução coercitiva para esse caso. Ela só é autorizada quando o investigado se recusa a depor, o que não era o caso na Lava Jato.

O caso das correntes é pior porque não há justificativa alguma para essa medida medieval.

Da defesa da civilização do texto, mesmo favorável à Lava Jato, logo abaixo, desce-se à barbárie dos comentários. Há prazer, há alegria sádica em ver um ser humano assim, exibido como até a um animal aprisionado chocaria ver. “Bolas de ferro”, sugerem, “garrote”.

É bom que suas excelências vejam a bestialidade, a imundície que as “Mãos Limpas” brasileira trouxeram à tona na sociedade. O quanto de brutalidade, de estupidez, de selvageria brotou da ação espetaculosa de uma Justiça que deixou de lado a presunção de inocência,  o equilíbrio silencioso do Juiz, o rigor do Direito Penal, onde não se autorizam suposições, e uma sentença que já se determinara muito antes que o processo chegasse a Curitiba.

Correntes nos pés é humilhação porque remete ao passado escravocrata do Brasil, ao tempo em que capitães do mato desfilavam com negros arrastando correntes nas ruas do Rio, Salvador e Recife para que eles não ousassem mais fugir. Era uma lição muito clara: “Veja só o que acontece com quem desafia os senhores de escravos”, escreve Mário César.

Então, senhores desembargadores, os senhores se disporão ao papel de feitores, de bispos da Inquisição que apenas assentem, obsequiosos, ao magister dixit do impiedoso (exceto para os seus) Papa Moro, que ergueu uma turba de incendiários, de linchadores, uma matilha sedenta de sangue e de morte?

Marcelo Auler, em seu blog, escreve sobre os bastidores do julgamento que farão e observa que, no Judiciário, existe desconforto com a transbordante autoridade de Moro até sobre seus colegas juízes, ainda bem. Mas desconforto maior deve haver com a onda de furor que ele ergueu e que se expressa num bolsonarismo que não é majoritário, mas é assustadoramente expressivo.

Reflitam, porque este é um caminho que leva ao nazismo, onde a estrela era amarela, mas bastava para os campos de tortura e extermínio.

 

 

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