O Bloco da Bufunfa não vai brincar no carnaval. Entenda

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Na segunda feira, quando ainda durante o pregão da Bolsa, aqui se chamou a atenção para o fato de que o “céu de brigadeiro” no qual parecia voar o mercado de capitais tinha se enevoado, houve gente que achou exagero e um dos comentarista que só vêm aqui para xingar disse que eu seria uma “tia fofoqueira”, porque em um instante tudo ia voltar ao normal.

Evidente que subir e descer é parte da natureza do mercado de ações e não é porque subiram que vão subir mais, nem porque a queda deverá ser seguida por queda maior, ao contrário. Descolado como está o mercado de ações do valor patrimonial das empresas – e  portanto, em grau expressivo, de seu desempenho econômico, nem mesmo seus resultados, senão em momentos esporádicos, passam a ser necessariamente a tendência de bolsa.

Mas nos momentos de terremoto nas bolsas, a lógica muda. As quedas fortes vão acionando, sucessivamente os “stop-loss”, patamares de cotação em que detonam a ordem de vender para “limitar prejuízos” e, vendendo, acentuam a queda. Como essa turma não é boba, em geral já tem, para aquela ou outra ação uma ordem de compra preparada para adquirir barato, já perto do que acham será o “fundo do poço”, porque mesmo pequenos “respiros de alta” podem compensar os prejuízos que fixaram como toleráveis.

Mas este é o mundo dos operadores e dos “analistas técnicos” – que é uma turma que vive usando as descobertas de um matemático do século 12, Leonardo Fibonacci, para fixar, a partir de  sequências variáveis, os pontos de reversão das curvas. São como aquele matemático que previa os números com maiores e menores possibilidades de saírem na Loto, lembram?

Não é o mesmo mundo dos investidores, os grandes, que são fundos, bancos e tesourarias de empresas, Estes miram os ganhos, como aqueles, mas prezam antes a segurança. Não topam perder 10% em uma semana, mesmo que tenham ganho 15% no mês anterior. Passam a mão no dinheiro e vão para onde flutuem menos seus ativos, no que se chama, em “mercadês”, de aversão ao risco.

Isso tem mais significação – embora guarde estreita relação – do que a bolsa ter caído mil ou quinhentos pontos. Em números: os investimentos estrangeiros, mais forte motor de nossa bolsa, zeraram no ano de uma maneira vertiginosa.

Entraram na Bovespa R$ 9 bi de dinheiro externo em janeiro. Nos nove dias de fevereiro, até aqui, saíram outros tantos – senão mais, a ver os números de hoje.

Embora num ativo de curto prazo e liquidez quase imediata, a decisão de entrar ou sair do mercado não é tão veloz e forma, ao contrário das cotações, tendências mais sólidas.

Em determinado momento do dia, hoje,  as perdas da Bolsa de Nova York foram as piores desde o crash de 2008, Adiante, temos uma segunda e terça com gangorra lá e a bolsa fechada aqui.

Definitivamente, em seus camarotes e festanças, o Bloco da Bufunfa passará o Carnaval roendo os dedos.

 

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