O adesivo do Brizola

Depois que o golpe de mão, regido por Golbery do Couto e Silva, que retirou dos trabalhistas a sigla PTB, o obrigou a criar o desconhecido PDT, que nada dizia à memória do povo brasileiro, Leonel Brizola passou a andar com um indefectível adesivo como este aí da foto, de 1982.

Era um retângulo pequeno, de papel com trama, do qual não se fez grande tiragem: essencial era que ele o usasse: em todas as fotos, em todos os eventos que comparecia, em todas as raras entrevistas e aparições de televisão.

Hoje, quando se fala em ser candidato, procuram logo um “personal stylist” para lhe escolher os ternos, as camisas ou os tailleurs.

Brizola, cujas preocupações com a indumentária se reduziam a uma boa dúzia de camisas azuis, de mangas dobradas, e uma meia-dúzias de ternos feitos a lote, todos iguais, que ele identificava, escrevendo a caneta nas etiquetas internas, para que uns não se desgastassem muito mais que outros, fazia daquele papel colado ao peito o seu personal style.

Os homens de bons modos achavam aquilo um horror: cafona, mal-ajambrado, “populista”.

Não importa, cumpriu o seu papel, literalmente.

Os jornais não podiam “retocar” a foto, as tevês não podiam cortar a imagem.

Era com aquele adesivo que Brizola colava a nova sigla com o trabalhismo que ele encarnava.

40 anos depois, o “Eu sou Lula”, em camisetas, em adesivos, cartazes, panfletos – e nos candidatos que venham a ter de representá-lo, enquanto ele não pode e se não o deixarem candidatar-se –  vai repetir esta história, em ponto muito maior.


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