O desmentido da “fake new” era uma “fake new”

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A ânsia de tentar provar que Lula não é o líder político de maior projeção no mundo, o que todos sabem que é, está levando a história do Terço abençoado que lhe enviou o Papa Francisco virar uma comédia trágica de desmentidos e “saias justas”.

O serviço brasileiro de notícias do Vaticano, logo após a frustrada tentativa de visita a Lula feita por Juan Grabois, desqualificou o advogado, dizendo que ele era apenas um  “ex-consultor do Pontifício Conselho Justiça e Paz”, conforme o Vatican News, portal de informações oficial da Santa Sé, como noticiaram efusivamente a Veja e outros veículos da grande imprensa e os sites de direita.

Ontem à noite, o Vaticano mandou apagar  esta nota e, em seu lugar, com as orelhas de alguém devidamente puxadas, publicou a correção ao que seriam “erros de tradução” que teriam levado a “imprecisões”.

O advogado argentino Juan Grabois é Consultor do ex-Pontifício Conselho Justiça e Paz, que passou a fazer parte do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, e é o coordenador do encontro mundial dos movimentos sociais em diálogo com o Papa Francisco.

O “ex” é do Conselho que, desde agosto de 2016, foi reunido a outros órgão do Vaticano que cuidam de migrações, de saúde pública e de questões humintárias em geral.

E Grabois não é apenas “consultor”. É, também, segundo a nota oficial do Vaticano, “coordenador do encontro mundial dos movimentos sociais em diálogo com o Papa Francisco.”

Na falta de elementos para sustentar a desqualificação de Grabois, passaram a desqualificar o próprio Terço abençoado pelo Papa, sugerindo que Francisco os abençoe aos lotes, só faltando fantasiar que ele o faça da porta de um depósito cheio de caixotes com milhares de ícones made in China. É só olhar a peça e se verá que não é assim, no caso de se imaginar que o papa não dá muito valor à sua própria benção.

Francisco, por razões óbvias, escolheu para a missão um representante pessoal, ligado a ele próprio, não um dignitário da Igreja, o que implicaria em questões diplomáticas. Coisa que a imprensa brasileira parece não compreender e, diga-se, também não o serviço de notícias em português do Vaticano.

Jorge Bergoglio deve estar agora com seu tranquilo sorriso: graças à cegueira dos que impediram Grabois de ver Lula e a tontice dos que tentaram desqualificar o Terço, o assunto está tendo a repercussão que a imprensa  que o esconderia.

Afinal, o Papa disse, em março, que a desinformação é o mais perigoso dos pecados da mídia, por fazer com que os meios de comunicação não passem as informações completas para a sociedade. “A desinformação é dizer as coisas pela metade, aquilo que é mais conveniente.

PS. Várias pessoas comentaram no post sobre o assunto que a notícia era “fake new” e que Grabois era “ex” assessor do Papa. Poderia ser assim, mas não é, como mostra a corrigenda do próprio Vaticano ao “desmentido que havia mentido”. Não os condeno e eu próprio, apesar de tomar cuidado, estou sujeito a acreditar em algo que não é daquela maneira. Na guerra de informação, já se viu que nem no Vaticano só há santos. Por isso, sempre é melhor ir devagar com o andor.

 

 

 

 

 


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