No “xerife” da Odebrecht estava na festa há 30 anos e vai moralizar o salão?

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O Relatório Reservado enche a bola do diretor de Compliance – algo como Controle, em português – da Odebrecht, Sérgio Foguel, dando a entender que será ele quem, na prática, deterá as rédeas de funcionamento da empreiteira de agora em diante:

Foguel está na Odebrecht há 25 anos, sempre lidando com a área de desenvolvimento humano e organizacional. Trata-se de um quadro altamente ideológico – um dos criadores do Instituto Millenium -, com excelente formação acadêmica. Foi resguardado em uma estufa na companhia e escolhido a dedo por Emilio Odebrecht para comandar a teia de controles que está sendo implantada na companhia.

Bem, Foguel era do quadro de mantenedores do Millenium , think tank da direita brasileira, embora este think deva ser relativizado dada a presença de Rodrigo Constantino, o amigo do Pateta, entre seus dirigentes. Foguel pertencia ao quado de mantenedores – não sei se do próprio bolso – ao lado de Armínio Fraga, João Roberto Marinho e Jorge Gerdau – do Instituto.

Os dados estão aqui, em trabalho de pesquisa do Dr. Lucas Patschiki, da UFG, como no estudo da Coppead/UFRJ sobre a empreiteira.

Foguel está, na verdade, há quase 30 anos na Odebrecht, em 1979 já era Diretor da Construtora Norberto Odebrecht e foi  vice-presidente e membro do Conselho da holding. Desde muito antes, portanto, de Marcelo Odebrecht  chegar à empresa, em 1992.

Ocorre-me, portanto, uma curiosidade.

Foguel, ocupando esta posição, por tanto tempo, não sabia de nada sobre os bilionários negócios de propina da empreiteira?

Se não sabia, pode ser o homem que vai colocar a empresa na linha, atento e vigilante, sem deixar escapar um deslize sequer?

Ou se, ao contrário, sabia e, ao menos, não pegou o boné, diante da bandalheira,  e continuou usufruindo de altíssimos postos na empresa, pode ser fiador de qualquer mudança ética de verdade?

Será que vai aparecer um coleguinha dotado ao menos da capacidade de perguntar a ele: Mas Dr. Foguel, ali, na direção da empresa, por quase 30 anos, o senhor não tinha percebido nada da propinagem?

Eu sei que, quase sempre, o moralismo é hipócrita, aqui e em toda parte. Mas não precisavam exagerar assim, não é?

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