Nada mais sem resposta: escritório de Nilo atende Petrobras desde o ano 2000.

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O escritório Nilo Batista & Advogados Associados deu a primeira sinuca na turma da imprensa que julga o mundo capaz do mesmo comportamento aético que ela pratica.

Em notificação enviada à revista Época, requer, com base na lei do direito de resposta, que publicação publique texto em que esclarece que, em lugar de haver a relação de remuneração entre a Petrobras e  Nilo Batista, que passou a integrar a equipe de defesa do ex-presidente Lula por uma simples, clara e indesmentível razão: o escritório trabalha para a petroleira desde 2000, no governo FHC. Nada mais simbólico do cordeiro que bebia rio abaixo, mas que o lobo insistia estar turvando a água.

O escritório liderado por Nilo, todos sabem, é um dos mais conceituados advogados do Rio de Janeiro, onde fica a sede da Petrobras e boa parte de seu corpo funcional, o que torna obvias as razões de sua contratação. Além disso, os valores referem-se a contratos de longa duração – como é obviamente  necessário em questões judiciais – e não a pagamentos á vista. É possível que eu ou alguns leitores, nos últimos 16 anos, tenhamos ganho R$ 1 milhão e é ridícula a ideia de dizerem que “faturamos R$ 1 milhão”.

Só mesmo a falta de princípios éticos e a tentativa de criar uma falsa impressão em quem lê pode levar a isso, sobretudo quando  o repórter da Época tinha todas estas informações num e-mail enviado a ele pelo escritório.

Agora, ou a revista publica a nota que revela seu comportamento aos leitores, no mesmo espaço e com o mesmo destaque ou, prepare-se, vai sofrer ação de danos morais e a aviso para consultar o jurídico da Globo para ver quanto o Nilo já ganhou do grupo em outras ações deste tipo.

Aliás, corrijo-me, o quanto poderia ter ganho, porque obteve a condenação de seus detratores, o que era a sua intenção, não a de ganhar dinheiro, como a Época quer fazer insinuar sejam movidos seus atos. Aliás, a  Época, seus editores e repórteres certamente não compreendem que se possa fazer advocacia sem defender interesses escusos, talvez porque não compreenda que se poderia fazer jornalismo sem eles.

O texto do direito de resposta do escritório Nilo Batista:

Em matéria intitulada “Criminalista Contratado por Lula faturou R$ 8,8 milhões com a Petrobras”, divulgada, a partir das 6:02h de 5 de fevereiro de 2016,  na coluna Expresso, mantida no site da Revista Época na internet, seu autor expôs informações incompletas ou fora de contexto, de modo a sugerir a seus leitores algum tipo de vinculação entre o fato de Nilo Batista & Advogados Associados ter sido remunerada pela Petrobras e de ter se agregado recentemente ao esforço de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Disse a matéria que Nilo Batista & Advogados Associadosfoi contemplado com quatro contratos, que somam R$ 8,8 milhões”. Ao valer-se do particípio passado masculino do verbo “contemplar”, cujo único significado dicionarizado pertinente é “conceder (algo) a (alguém) como prêmio, prova de consideração etc.” (Houaiss), a matéria dá a entender a seus leitores que a celebração de tais contratos configuraria uma espécie de prêmio ou benesse. Se tivesse informado, como era de seu dever e lhe foi devidamente esclarecido, que o Escritório ao longo de mais de 15 anos vem prestando à Petrobras e a seus funcionários serviços de advocacia criminal em centenas de processos e inquéritos policiais, a matéria não teria induzido seus leitores a erro.

Igualmente, o valor da remuneração, revelado pela matéria sem qualquer tipo de detalhe ou explicação só para o fim de provocar a indignação em seus leitores, representa a remuneração acumulada ao longo desses anos em que o Escritório tem prestado os serviços a que se referiu acima. Diluído tal valor pelos muitos meses por que tem perdurado a relação contratual entre Nilo Batista & Advogados Associados e a Petrobras, revela-se uma remuneração compatível com os serviços profissionais contratados.

Mais grave, contudo, foi o fato de a matéria ter dito quenos últimos anos, o escritório de Batista prosperou na Petrobras”. Neste ponto, o texto deliberadamente omitiu a informação de que a contratação de Nilo Batista & Advogados Associados pela Petrobras remonta ao ano 2000, época em que o país era governado pelo PSDB, agremiação política, como se sabe, que faz oposição à atual gestão. Tivesse a matéria revelado este dado crucial, devidamente transmitido ao funcionário da Revista Época encarregado de colher esclarecimentos do escritório, seus leitores perceberiam a absoluta desvinculação entre a relação contratual da Petrobras com Nilo Batista & Advogados Associados e o fato de este recentemente ter se agregado à defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Por fim, a manchete da matéria –Criminalista contratado por Lula faturou R$ 8,8 milhões com a Petrobras” – comete oportuno equívoco, na medida em que contratada pela Petrobras (e, logo, por ela remunerada) não foi o advogado Nilo Batista, mas, sim, a pessoa jurídica Nilo Batista & Advogados Associados, composta por 10 sócios, que não se confunde com a figura de seu sócio fundador.

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