Moro, o juiz único e irrecorrível. Não é mais o “juiz natural”, é o juiz sobrenatural

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Ontem, numa manifestação de advogados, Técio Lins e Silva, uma dos mais conhecidos advogados criminalistas do Brasil, deu à platéia uma informação essencial.

Disse que há uma portaria da Seção Judiciária Federal do Paraná que, há tempos, retira a 13a. Vara Federal do Paraná, onde atua Sérgio Moro, do sistema de distribuição processual de processos.

A confirmar-se isso,  Sérgio Moro, ao contrário de 20 mil juízes do país, de todos os desembargadores de Câmaras Cíveis ou Criminais, de todos os ministros do STJ, do TST, do STM e até do STF, é juiz de uma única causa.

Não é mais juiz para o comum dos mortais, é só para os “matáveis”.

Só pensa naquilo, como dizia o Jô Soares.

Desafio a que algum juiz de todo o Brasil possa dizer que o autorizaram a se dedicar a apenas um caso. Não existe

Os promotores e juízes fazem comício, dizendo que a crítica política a Moro é uma “ameaça ao Judiciário”.

E que só admitem que suas decisões sejam questionadas  nos autos, com os recursos próprios.

No caso, um recurso ou reclamação à Seção Judiciária Federal do Paraná, à qual ele, em tese, se vincula.

Só que a Seção Judiciária Federal do Paraná já anuncia que ele tem toda a razão em tudo, previamente.

Como na divulgação dos áudios do grampo das conversas de Lula com ministros e a Presidente da República.

A Direção do Foro da SJPR, órgão oficial da Justiça Federal, se solidariza e  publica esta solidariedade no site oficial do Tribunal Regional Federal do Estado, em inteiro apoio à posição do órgão corporativo dos juízes federais que considera que Moro está certíssimo ao divulgar os conteúdos dos grampos que ele próprio mandar parar de serem feitos e atingem a mais alta autoridade da República.

Então caminho é recorrer a quem, antes que você recorra, já diz que Moro está certo, certíssimo e que “não vai admitir ataques pessoais de qualquer tipo, principalmente declarações que possam colocar em dúvida a lisura, a eficiência e a independência dos juízes federais brasileiros”?

Houve uma completa subversão da ordem dentro do Judiciário.

É óbvio que não pode um órgão administrativo de juízes fazer aquilo que a lei não permite que um só juiz faça: ” manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem”.

É o artigo do inciso III do artigo 36 da Lei Orgânica da Magistratura.

 

Ou há leis não escritas e outra Constituição na República de Curitiba?

Pois, senhores, podem crer: há gente que, sem seus altos salários, seu auxílio-moradia para morar na própria casa, sem “carteiraço” para dar, conserva a inteligência e a dignidade.

O povo brasileiro lhes deus as prerrogativas da magistratura para serem juízes equilibrados e decorosos, não para serem tiranetes das Araucárias.

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