Josias pergunta por que 22% “flertam com a barbárie”. Ora, Josias, abra um jornal ou ligue a TV

angel

Quando eu era guri, numa vila do subúrbio do Lins de Vasconcellos, e alguém falava mal do outro esquecendo de si mesmo, a gente perguntava se “não tinha espelho em casa”.

É o que tive vontade de fazer quando li o artigo de Josias de Souza o prestigiado colunista da Folha/UOL, perguntando, a propósito da pesquisa Datafolha, por que 22% “flertam com a barbárie”.

Talvez a pergunta correta  talvez seja “por que 78% não flertam com a barbárie, mesmo que ela seja insuflada, direta e indiretamente, pelos meios de comunicação comerciais?”

Será que Josias não “lembra” do que faz a televisão com seus programas de “mundo cão”,  sejam os mais “sofisticados” sejam os explícitos, com apresentadores de porrete na mão?

Será que colocar limites públicos a isso é pretender controlar, autoritariamente, a imprensa?

Ou seria às empresas de comunicação, que permitem e, em geral, promovem este tipo de coisa como fonte de audiência e de lucros publicitários?

Josias de Souza deveria ter a coragem intelectual de seu colega Maurício Stycer, que não se acovardou e apontou hoje, na Folha, quem tem, também, responsabilidade nisso, a respeito do caso da infeliz Raquel Sheherazade:

Sheherazade difundiu sua mensagem (“Num país que sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível”) numa rede de TV aberta, uma concessão pública, sem que a emissora tenha oferecido qualquer contraponto a ela.

É uma opinião dela? Sim. Ela é a âncora do telejornal? Sim. Ela pode falar o que quiser? Tudo que o SBT considerar aceitável.

Ao justificar uma ação criminosa, do seu púlpito, a apresentadora contou com o endosso (silencioso) da emissora que a colocou no lugar em que está.”

Mas quando alguns blogs apontam a responsabilidade das empresas de comunicação que fazem isso – e campanhas políticas sistemáticas com teor igual de violência, como no caso do chamado mensalão, quando qualquer coisa que não fosse o linchamento dos acusados era “defender a corrupção – somos apontados inimigos da liberdade de expressão?

Ou alguém pode deixar de ver que personagens muito bem postos nos meios, como Merval Pereira, portaram-se como “Sheherazades do Mensalão”, inclusive sugerindo que o STF deveria ser pressionado “pelas ruas”, com seus black blocs e tudo?

Josias. Se você não entende porque 22% das pessoas flertam com a barbárie, eu posso dar uma contribuição para que descubra.

Olhe aí, nos comentários de sua página, para ver como se reúne o enxame selvagem à procura do “mel” amargo e violento do qual se nutrem.

E, se tiver espelho no grupo Folha e nas empresas de comunicação, veja quem são os veículos de comunicação que estão provocando este clima de barbárie.

Do contrário, sua pergunta não é retórica. É hipócrita.

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Comentários no Facebook

16 Respostas

  1. Maria Rita disse:

    Pena é saber que poucas pessoas tem acesso as análises que podem fazer a diferença. Pena é constatar que algumas pessoas estão tão contaminadas por ‘tudo que está por aí- nos meios de comunicação” que não perceberão a lógica da inversão que você deu à pergunta do Josias. Quando lembro das manifestações ‘contra tudo que está por aí’ melhor percebo o quanto do inconsciente coletivo está desorientado, em como esses Âncoras se confundem com religiosos instáveis e agressivos (por favor, não entendam como ataque a religiões) a guiar rebanhos. Espero que, pelo menos, o Josias leia a sua coluna, Fernando. Se bem que ele tenha um companheiro no jornal que várias vezes foi citado aqui, o grande Jânio de Freitas.

    • Antonio Mota disse:

      Eu quero ADOTAR UM BANDIDO, mas um BANDIDO PADRÃO FIFA, desses que tem Universidade, falam mais de uma língua, tem boa vida Social, são viajados e se possível com razoável arvore genealógica.
      Se possível um daqueles que formam a QUADRILHA dos TRILHOS, o popular TRENSALÃO do PSDB, bandido inteligente, atuou por mais de 20 anos, incólume, nem mesmo os mais competente Jornalistas das mais competentes Imprensa conseguiu interromper seus roubos via trilhos. Pode ser também um bandido como aquele que trouxe quase 500 quilos de pó, cocaína, e até hoje ninguém sabe, ninguém viu, mas já tem ate marchinha, e o coitado do Piloto nem marchinha ganhou.
      Eu quero ADOTAR um BANDIDO pés limpo, daqueles que tem bons Advogados, adquire habeas corpus com a rapidez de um formula 1, desses que tem presença, sabe se vestir, e se possível que possua um bom Personal.
      Eu quero ADOTAR um BANDIDO, mas que seja fino, tipo PADRÃO FINO.

  2. carlos-fort-ce disse:

    perfeito,fernando,
    aqui em fortaleza os canais de televisão estão lotados até a tampa com programas de cangaceiros eletrônicos na mesma linha de sherazade, que não é das mil e uma noites de bagdá. o mesmo discurso hipócrita do moralismo rasteiro e messiânico. a regra é especularizar o desfile de bandidos pés-de-chinelos com toda sorte de tragédias, reais ou imaginárias, que infernizam o cotidiano da cidade.
    pior, alguns desses patifes se elegem deputados e não tem um que apresente qualquer tipo de proposta sobre qualquer assunto, muito menos sobre a segurança pública.
    na lata: lei dos médios já!!!!

    • Riri Farinha disse:

      olá, Carlos. Felicito-o pelo sintético, porém esclarecedor do papel dessa maldita mídia que impera no País. Parabéns.

  3. Renato disse:

    Parabéns Fernando.
    Simplesmente brilhante.
    Como faz bem ler algo tão simples e profundo ao mesmo tempo.

  4. Luís CPPrudente disse:

    Mas quem é mesmo esse detrito de maré baixa chamado Josias? Seria um pau-mandado e colonista da famiglia Frias? Um sujeito desonesto e sem moral que tem o mesmo conteúdo reacionário da tal Barbie?

    Josias e Barbie, um é reflexo do outro. Os dois colonistas vendidos e desonrados do PIG.

  5. J.Carlos disse:

    Vale a pena ler este excelente artigo do Theófilo Rodrigues, repercutido por Miguel do Rosário:

    http://www.ocafezinho.com/2014/02/16/o-odio-contra-o-brasil-matou-o-cinegrafista/

  6. Alberto disse:

    a resposta para esta pergunta está na mesma resposta á mesma pergunta após o julgamento de Nuremberg:como um povo tão cheiroso e limpinho como o alemão perpetrou os atos julgados???Ou por que há este renascimento do nazismo até mesmo na Rússia e Israel?

  7. Mario Augusto disse:

    Esse é o mesmo cínico Josias de Souza que na sua “prestigiosa” coluna, sob o título de “Tardes Ordinárias e Notícias Vagabundas” colocou uma foto da ainda futura candidata Dilma Rousseff ao lado da então ministra Marta Suplicy.

  8. Roberto de Paulo disse:

    OS 22%,são os coxinhas da direita,no qual os azevedos,o pig em geral fazem parte,o asqueroso mani pinto,já vazou do sbt,se cuida raquel xeraazedo,a próxima será voce.

  9. Ciro Gomes disse:

    Caro Fernando, esse Josias, quer ser um Carro inglês nas ruas do Brasil, principalmente em Brasilia, onde ele provoca todos os dias um acidente de inteligencia, adora a contra-mão da verdade com seu lambe-lambe folhista.

  10. Pedro disse:

    Toda a grande imprensa usou, e usa, muito bem a liberdade de imprensa. A Folha, por exemplo, usou-a amplamente para emprestar caminhonetes aos torturadores. O Globo, nem se fala, usou e abusou da liberdade de imprensa de ocultar os crimes de tortura e assassinatos, as crueldades mais ignominiosas. Usam a liberdade de imprensa democrática para apoiar incondicionalmente as agressões e os genocídios cometidos pelo Pentágono e pela CIA mundo afora. Lutam pela liberdade de imprensa para apoiar o golpe de Estado em Honduras e no Paraguai contra governos eleitos pela maioria do povo. Usa e abusa da liberdade de imprensa para pregar diariamente o golpe contra todos os governos eleitos pela maioria na América Latina. O único governo recentemente eleito no Chile contra o qual não usaram sua liberdade de imprensa foi aquele que apoiou a ditadura do Pinochet.
    A liberdade de imprensa deles é talvez o maior amontoado de mentiras que a história já registrou. Aquele ministro da propaganda de Hitler seria considerado um incompetente aprendiz de feiticeiro se comparado com eles.
    Alguém já se deu ao trabalho de pesquisar como essa imprensa usava a sua liberdade de expressão na época da ascensão do nazismo na Alemanha, do fascismo na Itália, do franquismo na Espanha, do salazarismo em Portugal? A defesa e sustentação que fizeram na América Latina das ditaduras no Brasil, na Argentina, no Chile, no Uruguai, na Bolívia, dispensa qualquer pesquisa. A resposta faz parte da natureza dessa imprensa. E se alguém pensa que a liberdade de expressão delas pode ser outra coisa está precisando de estudar um pouquinho mais profundamente a realidade do capitalismo desde a Primeira Guerra Mundial.

  11. Messias Macedo disse:

    [Ou pergunte ao STF!]

    O país tem que aprender a se livrar de ministros do Supremo que não se comportam como juízes

    Postado em 16 Feb 2014por : Paulo Nogueira

    (Joaquim Barbosa o sem noção)

    Nunca na história do Brasil juízes do Supremo foram tão petulantes, tão desastrados, tão enviesados em seus julgamentos e tão nocivos para a democracia como Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes.
    O Brasil tem visto, nos últimos dias, a exacerbação de um comportamento simplesmente intolerável da parte dos dois.
    Como aceitar que dois juízes da corte mais alta se mostrem tão parciais? Eles deveriam pairar acima das paixões políticas, como todo juiz que se preze, mas eles acabaram absolutamente tragados por elas.
    As frases e as atitudes de Barbosa e Gilmar desafiam o bom senso mesmo, a inteligência e o decoro.
    Gilmar, sem evidência nenhuma, acusou de desonestas as vaquinhas dos petistas condenados. Isto é comportamento de juiz? É este exemplo que ele quer passar para a sociedade? Ele faz ideia de quanto contribui, com gestos desse calibre, para a degradação da imagem da justiça? Ou será que ele acredita que a voz rouca vê nele um herói?
    Se acredita, é um caso de patologia psíquica, de desvinculação da realidade. Que se providencie um alienista.
    Barbosa não fica atrás. Segundo a Veja, agora ele acusou abertamente o PT de ter sido tomado por “bandidos”.
    Se disse isso, e é difícil imaginar que a Veja fosse inventar declarações para atrapalhar seu queridinho, ele está insultando não apenas o PT, mas milhões de brasileiros que votam no partido.
    Barbosa, numa nota, negou. Mas você pode bem imaginar o que deve ter acontecido no bastidor: atendeu o telefone, como sempre, conversou com algum jornalista da Veja, disse o que pensava e depois imaginou que era off – como no jornalismo chamamos as conversas que não são para publicar.
    Mas era uma frase boa demais para ser guardada por uma revista dedicada a exterminar o PT, e o resto é o que se viu.
    Num mundo menos imperfeito, Barbosa e Gilmar Mendes já teriam sido varridos do Supremo por pressão da opinião pública.
    Mas aí estão os dois, sempre dispostos a falar diante de microfones numa alegre disponibilidade aos pedidos da mídia. Não têm a menor reserva, a menor discrição, a menor compostura.
    Eles se comportam como políticos, quando deveriam estar acima disso, arbitrando as coisas mais importantes do Brasil.
    Por isso são duas tragédias jurídicas cujo efeito destrutivo sobre a sociedade é maior a cada dia que passa.
    O país tem que discutir, e com urgência, como se livrar de integrantes do Supremo que não sabem se comportar.
    Esperar que o tempo faça seu serviço – só aos 70 vem a aposentadoria — é uma crueldade com os brasileiros.

    Paulo Nogueira
    Sobre o Autor

    O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

    FONTE: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-pais-tem-que-aprender-a-se-livrar-de-ministros-do-supremo-que-nao-se-comportam-como-juizes/

  12. Baptista disse:

    Josias de Souza se esforça mas não passa de uma cópia desnatada de reinaldo rolabosta, o muso e guia supremo, da direita que não sabe pensar.

  13. RONALD disse:

    Método que uso para desconstruir as mentiras de nossa imprensa:
    Tenho uma irmã que tem o péssimo habito de deixar a TV ligada nos programas de polícia tipo DATENA.
    Quando ela vem com a pergunta: Você viu aquela notícia?
    Eu respondo com outra pergunta: Onde você viu esta notícia?
    Quando ela me responde: Ah, eu vi na televisão.
    Eu já meto a resposta com uma pergunta e uma afirmação:
    Ah você viu na televisão? Então é mentira.

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