Aécio, o “rapaz ingênuo”, segundo ele próprio

aromocos

Esta semana, o Supremo Tribunal Federal, muito provavelmente, decidirá que Aécio Neves se tornará réu numa ação penal por corrupção por conta do dinheiro recebido em malas da JBS.

Imaginar o contrário – embora não seja impossível neste país onde a Justiça se tornou um escancarado instrumento político – seria imaginar que o STF estaria disposto a ir mais fundo no buraco abissal em que já está enfiado.

Mesmo neste caso, é um escândalo que, só um ano depois de reveladas as gravações, em áudio e vídeo, onde o ex-líder tucano, além de pedir e receber dinheiro, faz insinuações até de mandar matar um primo se este abrisse a boca.

Tudo isso se reduz, porém, na defesa que ele apresenta em artigo publicado na Folha, no mesmo espaço em que, durante anos, deitou lições de “ética”, diz que tudo é resultado de sua “ingenuidade”:

Fui ingênuo, cometi erros e me penitencio diariamente por eles. Mas não cometi nenhuma ilegalidade.

Por não cometer ilegalidade, o ainda senador por Minas elenca o que diz serem “fatos”: a suposta venda do apartamento em que vive a mãe no Rio, não o dele próprio; ter recebido e não gasto o dinheiro , que gentil, dizer que as ameaças de morte eram “vocabulário inadequado”  e “brincadeiras injustificáveis e de enorme mau gosto”.

Embora favorecido por uma aliança com Michel Temer – com quem teve um encontro há dois domingos e possui, como interesse comum, a desqualificação da marotíssima delação de Joesley Batista – a saída “ingênua” não deve funcionar para o STF.

Mas será interessante ver como se comportarão os ministros na hora de lançarem “um amigo” na fogueira, mesmo os já inservíveis, como palitos de fósforo já usados.

Até porque a estatura moral de alguns deles é comparável a de um Kim Kataguiri.

Como já não há exame jurídico no Brasil, mas julgamentos político-inquisitoriais, que precisam encobrir suas finalidades, mesmo escancaradas, Aécio será lambido pelas chamas das quais foi um dos primeiros atiçadores.

Vai arder, mas como é tucano, será em fogo brando, como quem cozinha um galo.

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