Gilmar suspeita da “vaquinha”. E se a gente suspeitar do Gilmar?

vexa

O Ministro Gilmar Mendes foi aos jornais dizer que suspeita das “vaquinhas” feitas em favor dos condenados do chamado mensalão.

“”Agora, dado positivo, essa dinheirama, será que esse dinheiro que está voltando é de fato de militantes? Ou estão distribuindo dinheiro para fazer esse tipo de doação? Será que não há um processo de lavagem de dinheiro aqui? São coisas que nós precisamos examinar”, disse Gilmar à Folha.

Muito bem. Vamos esquecer aquelas velhas manias de que juiz não fala fora dos autos e que não age sem ser provocado e muito menos antecipa opiniões e suspeitas sobre caso que está sob sua jurisdição.

São “louçanias” da Lei Orgânica da Magistratura, que parece ser coisa em desuso.

Sejamos generosos e imaginemos que Mendes opina como cidadão, exercendo seu inalienável direito de “achar”.

Esperamos, então, que ele nos conceda, míseros cidadãos que somos, o mesmo direito de achar.

De dar palpite, levantar suspeitas sem provas, sem sequer indícios…

O que será que achamos de Gilmar Mendes?

Será que achamos que ele concedeu dois habeas corpus a Daniel Dantas, contra todas as tradições do STF, por interesses  do tucanato?

“São coisas que precisamos examinar”.

Ou que se comportou sempre pela “execução sumária” dos condenados por interesse político, inclusive “esquecendo” da revogação dos embargos infringentes que ele tentou e mão conseguiu fazer virar lei?

“São coisas que precisamos examinar”.

E porque, depois de ser chamado de “capangueiro” de jagunços por Joaquim Barbosa formou com ele uma sólida e irrevogável solidariedade, quando se tratou de atacar a esquerda?

“São coisas que precisamos examinar”.

Não é preciso ter elementos fáticos, não é preciso ter indícios, uma suspeita material sequer.

É a “teoria do domínio da toga”.Basta achar, supor, imaginar.

O Ministro Gilmar Mendes, na falta de Roberto Gurgel, autonomeou-se procurador-geral.

Quem sabe ele próprio não prepara uma representação e a submete a si mesmo para abrir uma investigação?

O ministro acusa, abre processo e condena.

Falta pouco para proclamar-se Deus.

O problema é só que Deus seria generoso, bom, grandioso e humano.

E Gilmar Mendes seria?

“”São coisas que precisamos examinar”.

Comentários no Facebook