Fogo amigo na defesa (defesa?) de Lula

A notícia, estampada na primeira página de O Globo, dizendo que “com críticas a advogados, Sepúlveda Pertence pede para deixar defesa de Lula“, é um dos momentos mais constrangedores que assisti na advocacia.

Qualquer advogado, a qualquer tempo e por qualquer razão tem o direito de deixar uma causa.

Nenhum advogado, por nenhuma razão, em nenhum momento pode fazer isso prejudicando seu ex-cliente.

Principalmente num processo em que está evidente para todos que as motivações políticas jogam um peso decisivo, quase absoluto.

As histórias sobre as supostas manifestações do filho de Pertence em “grupo de whatsapp” beiram a puerilidade e a incompreensão do que está em jogo nesta causa, que é muito mais do que a própria libertação do ex-presidente Lula.

Certamente há – e dificilmente deixa de haver, em defesas compartilhadas – conflitos de estratégias e, até, de egos.

Trazer isso a público e transformar em “fofoca” algo que interfere na situação de alguém que está preso e no destino de um país que vive a iminência de, por isso, ter eleições sem legitimidade não é, porém, algo que se possa chamar de pueril.

É leviandade e falta do espírito necessário à advocacia.

O Doutor Sepúlveda Pertence, se tem mesmo a amizade que se jacta de ter com Lula há 40 nos e, sobretudo, se quiser fazer jus ao renome que tem, jamais pode permitir estas explorações sórdidas. Nem mesmo pelo silêncio.

Ou então a advocacia terá virado um imenso BBB, com direito a termos técnicos, latinismos e afetações, mas onde importa mesmo é aparecer.


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