A festa é deles, não é sua

 

quemgoverna

A Globo anuncia que vai fazer a sua parte, na coluna de Monica Bergamo, na Folha.

“Transmitirá ao vivo toda a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer na Câmara dos Deputados, marcada para o dia 2 de agosto. Mesmo que seja em horário nobre, interrompendo novelas, jogos e séries. A  emissora abrirá a transmissão a partir do primeiro parlamentar a votar, e manterá a narração ao vivo até o último deputado declarar sua posição no microfone.”

Numa votação em que quase a metade da Câmara ainda esconde seus votos, é mais importante do que qualquer decisão de partidos em formarem na trincheira de Temer.

Temer tem ainda uma vantagem apreciável, pelo fato de que é à oposição que compete ter os 342 votos necessários ao seu afastamento.

341, ainda que contra 130 ou 140, não bastam.

Não é preciso ser grande vidente para saber que, até o dia 2 de agosto, Marinhos e Janot vão providenciar muito bambu para flechas.

Prepare-se, caro leitor, para assistir um espetáculo deprimente – mais um – no parlamento brasileiro.

Nada do que saia ali será virtuoso.

Ou um “fica, Temer” desmoralizante, com um mulambo ainda mais esmulambado na presidência.

Ou – ainda improvável pelo quadro de agora – um “fora, Temer” seguido da posse de um carreirista autoritário, disposto a aproveitar o calor do “mandato” conquistado para recolocar na pauta mais assaltos aos direitos dos trabalhadores, até que novas denúncias também o desestabilizem.

Será, para lembrar da frase de Leonel Brizola, a disputa do Diabo com o Coisa Ruim, onde o inferno sempre vence.

A legitimidade de um governo sem voto  e ainda mais carente dela com um Rodrigo Maia  – de 53 mil votos e, como mostrou a pesquisa feita pelo Poder360,  rejeitado por mais de dois terços daqueles que o conhecem  – não é capital para estabilizar o Brasil.

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