Eu delato, tu delatas, vamos todos delatar…

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Uma notícia no Paraná Portal, hoje, faz parecer pouco o que diz Vinícius Mota, em sua coluna Se delinquir, delate, onde fala que “a afoiteza de procuradores e a esperteza de criminosos confessos, entretanto, vão alargando as fronteiras do instituto  [da delação premiada] no Brasil”a um ponto inimaginável.

Diz a notícia que no “processo em que o ex-ministro Antonio Palocci é acusado de gerenciar propinas da Odebrecht para o PT”, dos 15 réus da ação, “11 fizeram delação premiada e pelo menos outros dois, incluindo Palocci, negociam o acordo”.

Enfim, se fechadas  estas duas outras delações, sobram dois desgraçados para pegar “pena cheia”, assim mesmo um deles, Renato Duque, porque não conseguiu entrar na mamata, apesar de tentar, com acusações de última hora a Lula em outro caso.

Virou, para citar o ilustre poeta Latino, “bundalelê”.

E por quê?

Vinícius dá a pista, evidente: “o sistema de adesões sucessivas favorece relatos que confirmem as teorias acusatórias da Procuradoria e desincentiva os que as contradigam”.

Ou seja: “nós temos as convicções, delate para termos provas”. Ainda que estas provas, na maioria dos casos, se resumam a acusações verbais, papéis privados e outras quinquilharias. Isso quando não a simples palavra de um réu servindo de prova para “pegar alguém”.

E, claro, no caso de Curitiba, é evidente quem é o “alguém”.

Viramos a “República do Dedo-Duro”, que passou a ser o método da “moralidade”.

Que, agora, atinge aqueles que se beneficiaram do estado policial para empalmar o poder. E não dá, por nossos compromissos com a democracia e pela necessidade que temos que o Brasil saia da lama, para dizer: “bem-feito”.

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2 Respostas

  1. Marco Paulo Valeriano de Brito disse:

    A Carta de Pero Vaz de Caminha, a Dom Manuel, rei de Portugal, por ocasião da ancoragem da esquadra de Pedro Álvares Cabral, em Pindorama, inaugura o Poder e Governo dos dedos-duros e mãos-bobas, afinal o escrivão não deu mais que alguns passos pelas areias de Cabrália e saiu verborragindo que por aqui tinha de um tudo, que tudo dava, e obviamente tudo se poderia afanar para a Coroa portuguesa. De lá para cá só foi se aculturando a prática do deduramento e das mãos-bobices. Um desafio aos brasileiros, que foram se formando a cada geração, nesses desgraçados 500 anos, escravizados e “libertos”, não se deixarem contaminar por essa praga de origem. Muitos deram suas vidas nessa resistência, nossos heróis e heroínas, de outrora e de hoje, e tantos outros se calaram numa passividade sobrevivente, não por mera covardia, mas por absoluta impotência diante de um permanente estado opressor e servil a uma Casa-Grande genocida. Nunca foi fácil ser povo brasileiro, que é o sabe, e muito difícil lutar por uma sociedade que sequer se constituiu, neste vasto território. O país que chamamos de Brasil segue longe de ser uma Nação.

  2. Francisco de assis disse:

    A Delação só pode ser usada uma vez pelo delator, mas o Youssef já usou, só na Vara do Moro, 2 vezes, uma no caso Banestado, que ele fez sua fortuna e saiu ileso para continuar duas falcatruas e agora na Petrobras, que o deixou sair para viver como um nababo com seus milhões ” banestadiano” via contas CC 5 misturados com Pastas Rosas.

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