Eu delato, tu delatas, vamos todos delatar…

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Uma notícia no Paraná Portal, hoje, faz parecer pouco o que diz Vinícius Mota, em sua coluna Se delinquir, delate, onde fala que “a afoiteza de procuradores e a esperteza de criminosos confessos, entretanto, vão alargando as fronteiras do instituto  [da delação premiada] no Brasil”a um ponto inimaginável.

Diz a notícia que no “processo em que o ex-ministro Antonio Palocci é acusado de gerenciar propinas da Odebrecht para o PT”, dos 15 réus da ação, “11 fizeram delação premiada e pelo menos outros dois, incluindo Palocci, negociam o acordo”.

Enfim, se fechadas  estas duas outras delações, sobram dois desgraçados para pegar “pena cheia”, assim mesmo um deles, Renato Duque, porque não conseguiu entrar na mamata, apesar de tentar, com acusações de última hora a Lula em outro caso.

Virou, para citar o ilustre poeta Latino, “bundalelê”.

E por quê?

Vinícius dá a pista, evidente: “o sistema de adesões sucessivas favorece relatos que confirmem as teorias acusatórias da Procuradoria e desincentiva os que as contradigam”.

Ou seja: “nós temos as convicções, delate para termos provas”. Ainda que estas provas, na maioria dos casos, se resumam a acusações verbais, papéis privados e outras quinquilharias. Isso quando não a simples palavra de um réu servindo de prova para “pegar alguém”.

E, claro, no caso de Curitiba, é evidente quem é o “alguém”.

Viramos a “República do Dedo-Duro”, que passou a ser o método da “moralidade”.

Que, agora, atinge aqueles que se beneficiaram do estado policial para empalmar o poder. E não dá, por nossos compromissos com a democracia e pela necessidade que temos que o Brasil saia da lama, para dizer: “bem-feito”.

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