A economia quebrada, num gráfico elementar. David Leonhardt, no NYTimes

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Muitos americanos não conseguem se lembrar de nada além de uma economia com imensas desigualdades, em que os padrões de vida da maioria dos americanos estão estagnando e o dos ricos está cada vez mais distante. Parece inevitável.

Mas não é.

Recentemente, uma equipe conhecida de pesquisadores da desigualdade – Thomas Piketty, Emmanuel Saez e Gabriel Zucman – ganhou atenção por um gráfico que produziu. Mostra a mudança de renda entre 1980 e 2014 para cada ponto da distribuição, e resume claramente o recente aumento da desigualdade.

A linha no gráfico (que recriamos como a linha vermelha acima) se assemelha a um gráfico clássico de hóquei. É principalmente plana e próxima a zero, antes de disparar para cima no final. Esse ponto mostra que os muito ricos, e apenas os muito ricos, receberam aumentos significativos nas últimas décadas.

Esta linha capta o aumento da desigualdade melhor do que qualquer outro gráfico ou resumo simples que eu já vi. Então eu fui aos economistas com um pedido: eles poderiam produzir versões do seu gráfico para anos anteriores a 1980, para capturar as tendências de renda após a Segunda Guerra Mundial. Você vê o resultado aqui.

A mensagem é direta. Apenas algumas décadas atrás, a classe média e os pobres não estavam recebendo apenas aumentos saudáveis. Seus salários aumentavam ainda mais rapidamente, em termos percentuais, do que o salário dos ricos.

O aumento pós-inflação, retirados os impostos, que era típico da classe média durante o período anterior a 1980, cerca de 2% ao ano, se traduz em ganhos rápidos nos padrões de vida. A essa taxa, o rendimento de uma casa quase duplica a cada 34 anos. (Os economistas usaram períodos de 34 anos para se manterem consistentes com seu gráfico original, que abrangeu de 1980 a 2014.)

Nas últimas décadas, em contraste, apenas as famílias muito afluentes – aquelas que estão no topo e detêm, aproximadamente, um quarenta avos da distribuição de renda – receberam grandes aumentos. Sim, a classe média alta se deu melhor do que a classe média média e do que os mais pobres, mas o grande abismo está entre os super-ricos e todos os outros.

O problema básico é que a maioria das famílias costumava receber algo que se aproximava da parcela justa do crescimento econômico, e não recebe mais.

É verdade que o país não pode retornar magicamente às décadas de 1950 e 1960 (nem queremos isso, tudo considerado). O crescimento econômico foi mais rápido naquelas décadas do que podemos razoavelmente esperar para hoje em dia.

No entanto, não há nada natural sobre a distribuição atual do crescimento – ou seja, o fato de nosso ganho econômico fluir esmagadoramente para uma pequena parcela da população.

Políticas diferentes podem produzir um resultado diferente. Minha lista começaria com um código tributário que faça menos para favorecer o afluente, um sistema educacional de melhor funcionamento, mais poder de barganha para os trabalhadores e menos tolerância para a consolidação corporativa.

Espantosamente, o presidente Trump e os líderes republicanos no Congresso estão tentando seguir em outra direção. Eles passaram meses tentando tirar o seguro-saúde de milhões de famílias de classe média e de pobres.

Seus planos iniciais de reforma tributária reduziriam os impostos para os ricos muito mais do que para todos os outros. E eles querem reduzir os gastos nas escolas, apesar de a educação ser a melhor maneira de melhorar os padrões de vida da classe média a longo prazo.

A maioria dos americanos olha para esses gráficos e conclui que a desigualdade está fora de controle. O presidente, por outro lado, parece pensar que a desigualdade não é suficientemente grande.

Publicado no The New York Times (Tradução de Hayle Gadelha). David Leonhardt é  editor de páginas editoras associadas no The New York Times r  Prêmio Pulitzer como comentarista econômico em 2011.

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8 Respostas

  1. Rosa disse:

    Em um regime de mercado totalmente fascista completamente dominada por monopólio e oligopólios privados, concessões e privatizações do patrimônio público, não sobra nada para o povo. Oficialmente mais de 15 milhões de brasileiros estão sem renda não tem como sustentar suas famílias.

  2. Messias Franca de Macedo disse:

    … Os rábulas ‘psicoPATOS’ da PORCA-tarefa nazigolpista da Operação lesa-pátria ‘Farsa a Jato’ estão ensandecidos!
    São os carões dos *patrões, estúpido!
    *CIA/FBI/Pentágono/Globo/sistema financeiro transnacional
    “Rebanho” de vagabundos sacripantas!

    $$$$$$$$$$$$$$

    MP DESARQUIVA AÇÃO CONTRA LULA NO DIA EM QUE A PF ISENTOU AÉCIO

    Em mais uma demonstração da partidarização da Justiça no Brasil, o Ministério Público Federal decidiu desarquivar uma investigação contra o ex-presidente Lula relacionada ao caso do ‘mensalão’; decisão da Câmara de Combate à Corrupção da Procuradoria Geral da República (PGR) foi divulgada no mesmo dia em que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi inocentado pela Polícia Federal no caso Furnas por falta de provas; caso envolvendo Lula trata de um suposto pagamento de US$ 7 milhões da Portugal Telecom para o PT quitar dívidas de campanhas eleitorais; um inquérito para apurar o episódio foi aberto pela PF em 2013

    09/08/2017

    (…)

    FONTE [LÍMPIDA!]: https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/310957/MP-desarquiva-a%C3%A7%C3%A3o-contra-Lula-no-dia-em-que-a-PF-isentou-A%C3%A9cio.htm

  3. Lauri Guerra disse:

    No período do governo de Bill Clinton a economia americana teve um de seus maiores saltos de geração de riqueza. Todavia, todo crescimento a riqueza americana neste período foi apropriado pelos mais ricos, especialmente os muito ricos – o que explica a adesão massiva destes à candidatura de Hillary.
    Mas ainda assim Bill Clinton é muito querido da massa trabalhadora americana, pois neste período não perdeu renda. Isto se deve a que desde que Reagan destruiu o New Deal de Roosevelt e implantou no país de forma sistêmica as políticas do neo-liberalismo, a classe trabalhadora americana perdeu participação na riqueza nacional de forma vertiginosa. Depois deste interregno na queda durante o governo Clinton o processo de perdas economicas dos trabalhadores americanos continuou de forma crescente, especialmente depois da crise de 2008, concomitantemente com o crescimente exponencial da riqueza dos super-ricos.
    Ou seja o trabalho destes estudiosos reflete fielmente o desenrolar da realidade que presenciei nestas duas décadas e meia vivendo nos EUA, num processo que começou no início dos anos 80.

  4. Ale Nogueira disse:

    No final da tendência, TODO o capital pertencerá ao EGO de um único indivíduo… e mesmo suas diferentes personalidades serão pobres!

    • Luiz Schmitz disse:

      George Soros?

      • Jotage disse:

        Se será George Soros ou um Koch, Bil Gates, nós não sabemos, mas tudo aponta para um grande rei ou imperador.
        Contudo sabemos que Temer será o ministro da assistência social.
        Alckmim irá cuidar da distribuição de merendas.
        Aécio será ministro de materiais pulvurulentos.
        Moro o ministro da justiça.
        FHC o bobo da corte.

  5. Tomás disse:

    Quase todos, esquerda e direita, estão enganados quanto a Trump. Uma simples reflexão deveria ser suficiente para os que não entendem seus propósitos. Ele está contra o Estado Profundo, que tem sido o verdadeiro poder nos EUA nas últimas décadas. Ele está sendo atacado porque quer acabar com as guerras dos americanos. Ele sabe o quanto o país vai economizar com o fim destas guerras absurdas e de apoios injustificáveis a países criminosos. Hilary queria fazer guerra contra a Rússia, se possível nuclear, e este objetivo não era uma simples cogitação. Ela queria fazer isso mesmo. Seria o fim dos EUA. Muitas vezes Trump tem fingido ser um belicista feroz, para enganar seus adversários. Depois se vê que ele não quer de fato briga alguma. Se Trump ataca o Obamacare, é porque há provas cabais de que é um programa fraudulento, que beneficia grandes empresas e não a população pobre. Se ele quer reduzir a imigração, é porque quer cumprir uma promessa de campanha e refazer um quadro estável de direitos trabalhistas para os trabalhadores nacionais, enquanto que a enxurrada de imigrantes impossibilita a criação deste quadro, com a criação de um exército de reserva que avilta os salários. Ele afronta de peito aberto a mídia corporativa dos EUA. que são as Globos de lá, que o demonizam o tempo todo baseadas em detalhes desvirtuados. Se não conseguirem dar um golpe de estado parlamentar ou jurídico em Trump, ele revolucionará os EUA.

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