Dinheiro de Moro para a PF é novela. O enredo? Incompetência e mentiras…

pedepede

Lembram da história que mostramos aqui de que era falsa a versão divulgada na mídia de que a Polícia Federal do Paraná, à míngua de recursos, teve de ir passar o chapéu diante do juiz Sérgio Moro para conseguir dinheiro para consertar seus carros e pagar as contas de luz?

O repórter Marcelo Auler fez o que nenhum jornal se dignou a fazer e rastreou a história do dinheiro.

Tudo já começa de forma esdrúxula.

Moro dá, em agosto de 2014, R$ 1 milhão para a PF-PR, em tese para a instalação de um sistema de câmaras de segurança.

Quase sete meses depois, Moro cobra que a PF apresente os comprovantes dos gastos.

A PF nem sequer havia mexido no dinheiro.

Mas, aproveitando a oportunidade, pede mais R$ 2,237 milhões (isso, dois milhões, 237 mil reais e quebrados), como relata Auler, ” com o mesmo objetivo: instalar o circuito de TV na sede da Superintendência Regional, no depósito de carros apreendidos, no bairro  Hauer, em Curitiba, e para as descentralizadas de Paranaguá, de Ponta Grossa, de Guarapuava e de Cascavel, interior do Paraná.”

Moro informa que não tem tanto dinheiro assim e cobra de novo que sejam prestadas as contas do primeiro milhão.

Só nos dias 22 e 26 de outubro de 2015, 14 meses depois da disponibilização do dinheiro, a PF apresenta as primeiras faturas de pagamento. Depois de nova cobrança de que preste contas.

E um mês  depois a Polícia pede autorização, sabe-se lá porque – uma vez que ela devolveu dinheiro do próprio Orçamento, para pagar peças para seus veículos e contas de luz.

Detalhe: pede em setembro recursos para as contas de luz e, com eles, irá quitar uma conta não-vencida, com data de vencimento em 25 de…dezembro!

Moro, por sua vez, autoriza, com uma série de alegações sobre “riscos” da Lava jato, quando sabe que a Polícia Federal foi incapaz de usar os recursos à sua disposição, tendo sido, inclusive, duas vezes instada a prestar contas deles.

Deixo aos gestores e especialistas de direito administrativo o exame do imbroglio narrado, passo a passo e com documentos, por Marcelo Auler em seu blog.

Pode ser que eu seja leigo, mas no meu tempo, salvo as chamadas “pequenas despesas de pronto pagamento” destino de dinheiro não ficava ao arbítrio do administrador. E soa estranho que multas decorrentes de sentença judicial fiquem à disposição do juiz, para ele gastar como quiser e no que quiser, em outros órgãos públicos.

Como diz Auler, “façam suas escolhas”.

A reportagem é imperdível, detalhada e criteriosa.

Daquele tipo que “não vem ao caso”  que jornais façam, diante de um caso assim.

 

 

 

 

Comentários no Facebook