Cristovam não virou vinho, virou vinagre

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A frase que se atribui ao Papa João XXIII – Os homens são como o vinho – alguns viram vinagre, mas outros melhoram com a idade – bem cabe para colocar o Senador Cristovam Buarque na categoria de “alguns”, não na de “outros”.

A destilar seu fel e seu ressentimento, ao reduzir o momento dramático do discurso de Lula pouco antes de seu encarceramento a uma observação azeda e “despeitada” sobre a suposta “demagogia” de permitir o acesso de pessoas mais pobres à Universidade porque, segundo ele, seria preciso antes haver um “bom ensino médio”, como se isso fosse uma excludente e – pior ainda – a condenação de quem não o teve a não poder ter um curso superior, recuperar as deficiciências e tornar-se um profissional de boa qualidade ou desenvolver as virtudes que o ambiente universítário e seus espaços de conhecimento e convívio oferecem.

O castigo à pequenez do senador, porém, veio depressa.

Em uma enxurrada de tuítes  de gente que se beneficiou do que ele chamava de “demagogia”, mas que foi essencial em suas vidas, que reproduzo abaixo numa coleta feita por uma moça lá das Alagoas de meus avós paternos.

Talvez piores para Cristovam nem sejam as palavras de João XXII, mas as de Cora Coralina, que falava da ação dos tempos sobre os homens dizendo que a uns transformavam em água – capazes do que ele não foi, da “ajuda em hora difícil de um amigo, mesmo estranho” – outros em vinho – “arrolhado seu espírito de conteúdo excelente em todos os sentidos” e que “não improvisa — estuda, comprova”.

Pois, no poema de Cora, Cristovam não cabe nestas categorias, faz parte de outra:

Há de permeio o homem vinagre,
uma réstia deles,
mas com esses, não vamos perder espaço.
Há lugar na vida para todos.

 

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