Corte do BPC: para os pobres, crueldade

Laís Alegretti e Ranier Bragon, hoje, na Folha, pintam um retrato da insensibilidade das elites brasileiras e de seus tecnocratas.

É o decreto em gestação no Governo Temer que suspende o Benefício de Prestação Continuada – o BPC, pago a idosos e deficientes sem fontes de renda mínima de subsistência, estipulada em R$ 238,50 por pessoa da família – no caso de que se verifiquem  “inconsistências ou insuficiências cadastrais que afetem a avaliação de elegibilidade do beneficiário”.

Ou seja, “em caso de dúvida, passem fome”.

O decreto esmera-se na perversão: o beneficiário vai ser avisado do corte por uma método genial: no dia em que chegar na lotérica ou no caixa bancário e sua “merreca” estiver indisponível. Logo ele, que estava para sair dali para a venda, para comprar o “dicumê”.

Quem sabe consegue um fiado do vendeiro, não é?

Mas isso não é tudo.

Apatetado com o bloqueio, sem recursos e em geral com baixa capacidade de lidar com problemas burocráticos, tem dez dias para fazer a regularização:

 Só após o bloqueio, se entrar em contato com o INSS, o beneficiário entenderá o motivo pelo qual teve o benefício cortado. Além disso, terá apenas dez dias para para apresentar a defesa.

Nem é preciso dizer que, se depender de documentos. laudos, certidões e outros papéis é virtualmente que consiga cumprir este prazo.

Ninguém está, claro, defendendo situações de fraudes, usando pessoas simples.

Mas é impressionante como, quando se trata de maracutaias fiscais de grandes empresas e de bancos, como aconteceu com os bilhões sonegados pela Globo ou pelo Itaú, a compreensão do Tesouro é infinita…Anos e anos se passam até que, para perdoar, parcelar ou facilitar o pagamento.


Der WhatsApp Chat ist offline

Comentários no Facebook