Ciro e o “Centrão”: moça bonita não paga, mas também não leva

A brincadeira antiga dos feirantes aqui no Rio lembra os acenos trocados entre os partidos do “Centrão” e Ciro Gomes, pré-candidato do PDT à presidência.

Ciro não compreendeu – ou, por vaidade, não o aceitou – que sua viabilidade eleitoral repousa, única e exclusivamente, na ausência forçada de Lula no pleito.

Essa é a verdade e, repetia sempre o velho Leonel Brizola, a verdade é a realidade, por mais que seja encoberta ou maquiada.

E isso não é demérito algum para Ciro que, não se pode deixar de reconhecer, foi sempre um dedicado e infalível colaborador e apoiador dos governos petistas.

Ao contrário, seria um inegável mérito para que, no impedimento injusto de Lula, sobre ele recaísse a escolha sobre quem apoiar.

Neste caso, ninguém duvida que estivesse hoje numa condição de favoritismo ou, no mínimo, disputando a ponta das pesquisas com Jair Bolsonaro, “Duro de Engolir”.

E seria natural que parte do “centrão” se sentisse atraído pelo que, eufemisticamente, chama-se de “perspectivas de poder”.

Ou seja, cargos e influência na máquina pública, como é do jogo político.

Só que Ciro patina, grosso modo, no mesmo patamar de Marina Silva e Geraldo Alckmin e, graças à sua indefinição em relação a Lula, parece cada vez mais distante de receber votos simpáticos ao ex-presidente.

Numa análise realista, também parece distante de receber o apoio da maiora dos partidos do “Centrão”, que conhecem sua pouca afeição a barganhas. A impressão que os menos ingênuos têm é a de que é Ciro quem está sendo usado por eles para aumentar seu poder de barganha.

Se algum tempinho de televisão acabar por amealhar, mais ainda gastará para explicar alianças esdrúxulas. Até porque ele não tem uma densidade histórica que, como em relação a Lula ou, antes, a Brizola, deixe claro quem está aderindo a quem.

Nenhuma das restrições que a ele fazem setores do petismo seria suficiente para deter sua condição de substituto natural de Lula, caso seguisse sua trajetória de 2002 ao final de 2016.

Mas, ao que parece, Ciro é mais um que foi preso pela armadilha do “Moro invencível”, imagem que se corroeu e está próxima de mostrar-se desfeita já nos próximos dias.

Um acordo com o DEM para “melhorar a imagem de Ciro no mercado financeiro” só pode ser delírio de algum aprendiz de feiticeiro.


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