A calmaria e a tempestade

montanar

Não estranhe o caro leitor e a distinta leitora que os últimos dias tenham andado pobres de notícias.

Nem é bem isso, é que o país mergulhou num quadro de mediocridade que se fosse imaginado há alguns poucos anos atrás levaria o sujeito, direto, para um tratamento psiquiátrico.

Quem imaginaria que um energúmeno como Jair Bolsonaro pudesse ser o candidato favorito – sem Lula, é claro – numa disputa presidencial?

Ou que quinquilharias políticas como Rodrigo Maia e Henrique Meirelles estariam se postulando candidatos?

Ou que os tucanos estariam amargando números tão desmilinguidos quanto os que ostenta Geraldo Alckmin?

E, ainda pior, que estaríamos a ponto de lançar na cadeia o mais popular e bem avaliado Presidente da República que tivemos desde JK?

Basta isso para entender a dimensão do desastre que, desde 2013, nos lançaram.

É quase uma evidência que não chegaremos ao final de um processo eleitoral distante apenas sete meses no tempo com o mesmo quadro que temos hoje.

Os sinais de que o Supremo será mantido em omisso silêncio, permitindo que Sérgio Moro prenda Lula são flagrantes e aprofundarão a radicalização política que arruína a vida brasileira.

O Judiciário, transformado em partido político, já está a quaisquer olhos com sua credibilidade comprometida e resvalou para o terreno do deboche público.

A direita pensa ter eliminado seu adversário – e nem tão adversário assim – mas não tem, ela própria, um nome para apresentar à condução do país.

A ruptura da democracia, com a conspirata judicial-parlamentar – da qual o STF foi cúmplice – ainda não produziu todos os seus efeitos.

E quaisquer que sejam os que estão ainda por vir, não se animem, serão terríveis para um país que se perdeu justo quando parecia ter se encontrado.

Tudo indica que a eleição de outubro, em lugar de uma saída para a nossa crise institucional será um passo para aprofundá-la mais ainda

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