Bolsa e câmbio “bombam”. Favor avisar à economia real, que afunda

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O índice de atividade econômica do Banco Central – o IBC-br – fechou 2016 com nova queda, o que levou a economia brasileira a apresentar uma retração de 4,5%.

Considerado indicador antecedente do PIB, o dado aponta que a queda do Produto Interno Bruto deve ficar acima dos 3,4% previstos e bem perto dos 3,8% de retração de 2015, o pior resultado em quase 30 anos.

Como explicar, então, a euforia do câmbio e da da Bolsa de Valores?

A economia real: produção industrial e agrícola, comércio, prestação de serviços, impostos, tudo se afunda e aqueles disparam?

Teria acontecido uma espetacular reversão em janeiro, que justificasse tamanho otimismo?

Os indicadores já disponíveis dizem claramente que não. O indicador Serasa Experian de janeiro de 2017 aponta uma retração geral de 4,2% sobre janeiro de 2016 (que, como mostra o gráfico da Folha, acima, já foi desastroso), com destaque para um recuo de 12% nas vendas de material de construção, um dos itens de mais rápida resposta econômica. Ontem, com números da Fenabrave, mostrou-se aqui que a venda de veículos também caiu, em escala semelhante: 14%.

Existe claramente uma bolha de especulação que sustenta a euforia do mercado financeiro.

Embora o capital financeiro tenha autonomia e liberdades notáveis do desenho econômico de hoje, seu descolamento da economia real tem limites, tanto exclusivamente econômicos – a capacidade de que a “velha economia” gere recursos que remunerem a sua ciranda – quanto políticos, com o stress de crises que o estado comatoso do consumo, do emprego e dos serviços públicos que não têm recursos reais que os sustentem.

Estamos embarcando em uma aventura que, se não fosse a ânsia de ganhar mais dinheiro e bem rápido do mercado e a angústia do governo de segurar, via câmbio, o seu único troféu, a queda da inflação, já teria mostrado sua semelhança com as tais “correntes”.

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