Alta no emprego? Quem quiser se enganar, que se engane

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Os números oficiais do Cadastro de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho são para colocar pulga atrás de qualquer orelha.

O emprego cresceu pelo terceiro mês seguido!

Onde?

Pode olhar os dados na planilha oficial e você verá que o crescimento se dá pela agricultura.

96 mil empregos a mais, de fevereiro para junho!

Isso representa um crescimento de mais de 6% na força de trabalho em apenas 4 meses, e na “roça”!

É o caso de saber se estão pegando trabalhador a laço e se os caminhões bóias-frias lotam as estradas do interior, porque a agricultura emprega, em todo o país, apenas 1,65 milhão de pessoas.

Como não estão, o nome disso é safra, em bom português.

Os serviços, que empregam dez vezes mais, quase 17 milhões de pessoas,   tiveram uma modesta elevação de 2.300 vagas no mesmo período. Ou seja, nada.

No comércio, que dá trabalho formal a quase 9 milhões de brasileiros, em tempo igual, perderam-se quase 43 mil empregos!

Na indústria, que emprega um pouco menos que o comércio (somando a extrativa e a de transformação) assina perto de 7,5 milhões de carteiras e que foi “melhorzinho” este ano , só criou 6,5 mil vagas de fevereiro a junho, 0,1%!

Com um esforço cívico para acreditar nos números do Caged e uma boa vontade de Irmã Paula para interpretar os dados, só um energúmeno pode dizer que isso indica uma recuperação do emprego que está sendo medido – lá vai minha boa-vontade – com base em um setor que emprega apenas 4,17% da força de trabalho nacional e está sujeito muito mais a fatores sazonais que a qualquer outra coisa.

O Governo Temer, que em tudo vai se tornando igual ao de Sarney, bem que poderia adotar o bordão do bigodudo: “isso tem que dar certo!”

Mas pode anotar aí que o “jênios” da economia, amanhã, nos jornais, vão aparecer comemorando a “retomada” do emprego, até que cheguem os números do IBGE para repor ordem na farra e mostrar que, na melhor das hipóteses, o bicho continua feio igual.

E não é adivinhação, não, é só olhar os números e ver que reação não há na criação de postos de trabalho.

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