A últimas da Gestapo em Atibaia e os pedalinhos da Folha

churrasqueira

A “força-tarefa” do Estadão destacada para acompanhar a completamente abusiva ação da Lava Jato que “investiga” a compra do sítio frequentado por Lula nos finais de semana está produzindo um festival de barbaridades para arranjar “suspeitas” sobre o imóvel que, francamente, fazem qualquer despachante ficar de queixo caído.

Primeiro, que a orientação de um advogado num contrato de compra e venda de imóvel seja “suspeita”, em lugar de corriqueira e recomendável, até.

Segundo, que “instrumento particular de compra e venda” de imóvel seja algo de extraordinário, quando é feito, na prática, em quase todos os negócios imobiliários, até porque o contrato, em si, depende de uma série de documentos. alguns com curto prazo de validade – como a certidão do Registro Geral de Imóveis, que só “dura” 30 dias e, portanto, só se tira depois de acertada a venda, posto que o vendedor, para tê-la pronta de imediato, teria de tirar uma após outra.

Terceiro, que é indispensável um agrimensor quando você trata de uma imóvel rural, acidentado e com uma mata no meio, porque é impossível medir uma  área com uma trena, certo, rapazes?

Quarto, que cheque administrativo tenha virado “dinheiro vivo”. Se os amiguinhos do Estadão não sabem, cheque administrativo é igual a um cheque necessariamente nominal, com a diferença que é o banco quem o emite e garante. Portanto, é justamente o contrário do que se pode intuir do “dinheiro vivo”, que não tem origem oficial e nem destino registrado bancariamente. O administrativo, mesmo sendo sacado, deixa no banco a identidade, o CPF e a assinatura do beneficiário.

Mas o melhor do dia é o “voo de reconhecimento ” feito pela Folha sobre o sítio.

Dessa, eu acho que Lula e D. Mariza não escapam.

Vão ser condenados por mau-gosto.

A imagem aí de cima do post é a da “cinematográfica” churrasqueira, repare bem. Tem até aquele banquinho com dois bonecos de criança fantasiadas para festa junina, olhe no canto inferior esquerdo! O resto não esquadrias de madeira e vidro comum, nada de blindex e vãos maiores, como pediria um projeto moderno. Nem deck de madeira na piscina, feito de pedra de São Tomé, que é bem  barata e que eu mesmo já assentei, com massa de barro, nos tempos em que os meus joelhos permitiam.

Do lado direito, se você olhar bem, vai ver uma daquelas garças de barro horríveis, destas que vendem em beira de estrada e um chuveirão destes que de faz enchendo de concreto um tubo de PVC.

Não deu para ver se tinha aqueles cogumelos e anões de Branca de Neve de jardim.

Fora isso, tem um erro básico de projeto, porque a quantidade de água que desce pela calha no vinco entre as duas águas dianteiras do telhado vai acabar com as esquadrias de madeira em pouco tempo, além da danificar o piso do deck de pedra.

Em outro ponto do vídeo, acha-se uma miniestátua do Cristo Redentor e, noutro, pedalinhos em forma de cisne, um espanto!

Para economizar o trabalho dos “sherlocks”  de folhices, fui levantar o preço nababesco destas coisas.

A estátua do Cristo, confeccionada em pó de mármore, com um metro de altura, para ser colocada em cima de um pedestal, custa R$ 1.750.

O pedalinho em formato de cisne é mais caro: sai por R$ 2.900. Há uma versão em cisne negro em promoção, mais barata: R$ 2.700.

A edificação das quatro suítes é uma construção simples, sem qualquer recurso arquitetônico, quase quadrada, o que economiza horrores em matéria de estruturas, telhado, madeirame e até nas “paredes hidráulicas” que, com esta disposição, passam a servir a dois banheiros em lugar de uma para cada peça.

Ah, e tem também a suposição de que a OAS fez reparos no telhado da casa antiga, muito maior que o “quadrado” novo.

Mas tudo isso é uma bobagem enquanto gestapianos e bisbilhoteiros não responderem a uma perguntinha básica, sem a qual, admite até a Folha, não se configura qualquer ilegalidade: qual é o ato de favorecimento que Lula teria feito em favor da empreiteira X, Y ou Z?

Fora isso, só do que se pode condenar o casal Lula é de muita falta de imaginação arquitetônica e de um gosto para lá de duvidoso.

Só se for isso: a criminalização da geladeira de isopor.

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