A pressa de Eduardo Paes em parar (mais) o Rio é só burrice?

Infelizmente, a capacidade da imprensa carioca não anda superando a da média dos jornais nacionais.

Nenhum jornal questiona a  pressa de Eduardo Paes em demolir o – horrendo, é verdade  – elevado da Perimetral.

Pressa que é, no mínimo, estranha.

Abrir o trânsito no primeiro dia útil e começar,já antes, no final de semana,  a demolição da antiga via, sem deixá-la como alternativa para dividir o tráfego e permitir que os motoristas experimentassem os novos trajetos por um mínimo de tempo, até se acostumarem não pode ser só imprudência.

Poderia, até, numa medida extrema, mas razoável, ter impedido a circulação de veículos particulares em trechos do Centro, montando esquemas especiais de ônibus como se faz para grandes eventos.

Fizeram, no Rock in Rio.

Ou, de maneira muito mais inteligente, deixar os dois trajetos abertos, para verificar os gargalos e problemas como o trânsito de um domingo jamais vai mostrar.

Não adianta dar uma de “bonitinho” e sugerir transporte solidário ou coletivo.

Na prática, Eduardo Paes deu uma “de black bloc” e parou a cidade.

Na hipótese mais generosa com o prefeito, pode-se imaginar que a sua mente “Barra da Tijuca” não entenda que aquele trajeto é o de centenas de milhares de pessoas que vêm da Baixada, de Niterói, de São Gonçalo e de muitas outras áreas que, se não são da cidade do Rio de Janeiro, contribuem para a economia e para a vida da cidade.

Eu contei aqui, certa vez, uma história de Leonel Brizola ironizando um secretário de Transportes ao perguntar há quanto tempo ele não tomava um ônibus.

No caso de Eduardo Paes, é o caso de perguntar se alguma vez ele já o fez.

Mas não haverá ninguém para perguntar.

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