A “padaria da D. Mariza” e os canalhas de letra de forma

padaria

Sou, normalmente, uma pessoa moderada nos adjetivos e muito ciosa de não ofender pessoalmente a qualquer um.

Mas há horas em que medir as palavras, mesmo que seja pelo receio de um processo movido por bancas caríssimas de advogados contra alguém que sequer um defensor modesto tem condições de contratar, não pode impedir que exerça meu direito humano de ser digno.

O que fez ontem o Estadão transformando em “prova” o fato de “duas atendentes da padaria Iannuzzi, que fica no acesso ao sítio, dizem que a ex-primeira-dama Marisa Letícia comprava no local”  (duas linhas finais da “reportagem”) é uma rematada canalhice.

O Zé Augusto, do blog Os amigos do presidente Lula, obteve a foto da tal padaria, que vai no alto deste post.

Só um verme moral pode achar que uma ex-primeira-dama fazer compras nesta padaria pode ser “prova” de uma vida incompatível com a sua condição pessoal.

Deveria, ao contrário, ser prova de seu desapego a luxos  e a “status”.

 

Se Lula e Mariza sustentassem que não frequentavam o sítio em Atibaia, sim, seria relevante que tivessem sido vistos comprando pão, ou remédio para dor de cabeça numa farmácia, ou abastecendo o carro num posto de gasolina.

Como não negam e assumem frequentar o sítio, é “prova”  ou é bisbilhotice indecente?

Ética não é um valor abstrato. O jornalista tem o dever de narrar o que diz respeito ao interesse público, mas nenhum direito além do que tem o cidadão comum de se meter com a vida doméstica de qualquer um.

Será, no mínimo, um fofoqueiro enxerido.

Ou, simplesmente, abjeta canalhice.

PS. Teremos um reportagem sobre onde a novel senhora FHC compra pão em Trancoso, onde passa o carnaval? Ou na casa de quem ele fica?  Ou o caráter de quem o sabe  se contenta em publicar o que o seu patrão permite e incentiva?

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