A casta

juizrei

Está rodando furiosamente na internet o vídeo em que o desembargador José Renato Nalini, agora secretário de Educação de Geraldo Alckmin, faz a defesa da fraude que é o auxílio moradia pago a juízes (e promotores) dizendo que “é um disfarce” que ajuda os juízes a “não terem tanta depressão, tanta síndrome do pânico, tanto AVC”.

O Tijolaço publicou esta patranha em outubro do ano retrasado, mostrando que os juízes brasileiros ganhavam, aproximadamente, o mesmo que seus colegas de Nova York, para não ficar apenas na ridicularização de um senhor que diz que, comprando ternos em Miami, a Justiça fica “mais apresentável”.

Remuneração digna, claro, é direito de qualquer categoria profissional.

Não é, porém, o que se pode dizer da remuneração de juízes e promotores no Brasil.

Quando um juiz ou promotor é admitido com remuneração inicial de  R$ 31,5 mil (se duvida, veja aqui o edital do concurso para o MP do DF e Territórios, com vencimentos de R$ 27,5 mil, antes do reajuste de 14,6% em vigor desde o dia 1 deste mês), comete-se uma indignidade com o país.

Não apenas porque  gasta-se o dinheiro da população numa proporção incompatível com as nossas carências – o que é sério – como porque instituímos uma casta de brasileiros, cheio de poderes e privilégios, que passa a viver num universo diferente do que vive a sociedade e, portanto, não a conhece o suficiente para julgar.

Gente tão desligada da realidade que é capaz de dizer, na maior cara dura, o que disse o desembargador e agora Secretário de Educação no vídeo: é preciso ir comprar ternos em Miami.

Capaz – não duvido do que diz  sua ex-excelência – de ter depressão, síndrome do pânico ou AVC por ganhar “apenas” dez vezes mais que um professor que enfrenta diariamente uma turma de adolescentes aos quais não adiante dizer: “ordem no Tribunal”.

Formou-se uma casta no Brasil.

E ninguém duvide que ela é feroz: já escreveu Victor Hugo que “as castas têm suas ideias, que são seus dentes”.

Quando são convertidas a heroicas, divinas e infalíveis, seu poder desborda e torna-se tirânico.

 

 

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