Quando o “politicamente” correto é estúpido, por Jari da Rocha

aladim

Não resisto à apresentação já desnecessária do Jari da Rocha, colaborador deste blog, porque ele toca num ponto que a mim incomoda ao extremo: a superficialidade hipócrita de um “politicamente correto” com que o cinismo se disfarça.

Ele reage à incrível história das reações contra um casal que, fantasiado de Aladim e Jasmine, vestiu no filho trjes de Abu, o macaquinho que acompanha o herói da lenda árabe. Foi o que bastou para que fossem chamados de racistas por gente que, ao contrário deles, nunca teve a coragem de adotar uma criança e ainda mais, uma criança negra, para a qual milhares de casais candidatos à adoção torcem o nariz.

Não haveria nenhuma reação se a criança estivesse de rato Mickey, de porca Peppa Pig, de vaquinha da Parmalat ou de cachorro Pateta. Macaco de filme Disney e musical da Broadway, não pode? Não sabia, porque quando os meus hoje adultos eram pequenos e minhas pernas resistiam, cansei de brincar imitando macaco, puxando orelhas, fazendo cócegas e arrancando risadas. Depois, com o mais novo, cantando o lindo “Macaquinho sai daí“, da Bia Bedran, para ele ir dormir na sua própria cama.

Isso nada tem a ver com a ofensa racista, inegável e odiosa, da palavra dita com o ódio da desqualificação humana.

Ah, francamente, temos racismo e discriminação demais neste país para ficar enchendo o saco de uma família que, evidentemente, só estava curtindo sair fantasiada em conjunto, estreitando mais seus laços.

Por isso, subscrevo tudo o que diz Jari contra a simplificação irracional, contra um ato de integração, de amor e identidade de um casal de pais que vai brincar o Carnaval com o filho, cheios de alegria e recebe uma saraivada de ódios.

Próxima vítima? Por aqui, por favor!

O senso comum facilita nossas vidas. Permite-nos opinar, com argumentos já definidos, sobre algo que já está decido pelo grande público que se manifesta. Além disso, por sua envergadura e volume, intimida demais dedos em riste e suas cantorias. Os poucos que se atrevem sucumbem diante dos gritos ávidos e áridos do plantel maniqueísta.

Há características que auxiliam no sucesso de tais ondas opinativas, uma delas e também a mais decisiva é a avaliação superficial saturada de dogmas e considerações conservadas em sal e vinagre. O que mais assusta é que, justamente as mesmas pessoas que bradam por renovação e modernidade, acabam se traindo por um descuido senso-comum. Reafirmam antigas e supostas verdades em detrimento de possíveis novas possibilidades e, nessas horas, nem mesmo o mais elucidativo provérbio chinês pode salvar – do tipo: “não julgue isso ou aquilo”.

Com a amplificação das opiniões em voga e, também, a multiplicidade de conflitos conceituais, o senso-comum se manifesta como nunca antes na história desse país. Baseado na lei do menor esforço, não ajuda muito para salvar uma moçoila ruiva de olhos verdes que, porventura, for apontada como potencial bruxa.

Há uma pressa em condenar. E se for algum pai desavisado da existência dessa horda de justiceiros, que resolva brincar com seu filho adotado nos ombros?
Pedras serão inevitavelmente lançadas.

A modernidade das redes sociais e sua adesão em massa possibilitam ampliar nossos gemidos intestinais e salvar, num click cômodo, uma cachorrinha perdida, aderir a campanhas de beatificação a suicidas, contrair vírus ou até mesmo acabar com vidas e reputações alheias.

Com um pouco mais de esforço, pode-se teclar a palavra “absurdo” diante de algo que não se sabe exatamente como foi é ou será, mas que, pelo menos, pareça absurdo. Basta parecer e quanto mais parecer e mais sintético for, maior a adesão. Fotos com legendas sugestivas são recomendáveis e textos explicativos dispensáveis. É bom lembrar, há imagens que valem por mil palavras, por que perder tempo?

Ao grito, em meio à multidão, de pega-ladrão, viramos, miramos e, sem pestanejar, atiramos a primeira pedra.
Pronto, foi feita a justiça!

 

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Comentários no Facebook

33 Respostas

  1. Vargas disse:

    Desafiar o “politicamente correto” é uma das maiores provas de coragem hoje em dia.
    Aquele que desafia esta verdadeira ditadura (ditada de fora!) é imediatamente alvo de bullying.
    E veja, Fernando, a constatação de que a “vítima” desde episódio é da própria família acusada, não irá acalmar os radicais.
    Radicalismo é igual a 50% da visão. É parcialmente cego.
    O que me preocupa mesmo, FB, é o “politicamente correto” sendo usado para mobilizar os descerebrados midiotas.
    Aqui no Blog mesmo temos expressões máximas desta fauna.
    Para eles, o “politicamente correto” é achincalhar e ofender personalidades ligadas ao PT, especialmente Lula e Dilma.
    Hoje em dia, no meio desta gente, o “politicamente correto” é gritar bordões e palavras de ofensa contra o PT. É desejar a prisão ou a morte de petistas.
    Poucos desafiam esta manipulação grotesca, engenheirada pelo PIG e fomentada pelo MPF.
    Está claro que isto não vai acabar bem. Já não está indo bem. Mas chegará um momento em que o “poder” vai escorregar em uma casca de banana. E aí, com um povo acompanhando a injustiça desvelada diariamente na mídia e percebendo que ele está sendo usado para validar a ditadura judicial-midiática do 1%, uma convulsão social pode se estabelecer. Perde o Brasil se isto acontecer. Já no golpe de 1964 os EUA queriam entrar pelo ES e dividir o País em 2, ficando com a parte de cima para suas bases, tomar praia e sugar a amazônia.
    Os coxinhas da elite (não os serviçais de plantão aqui do Blog), que adoram passear em NY e em Miami, pouco se importam. Ficariam de quatro para os gringos mesmo que ele não pedisse.
    Eita pelegada entreguista!

    • Danilo Stinghen disse:

      Esse é o perigo de qualquer consenso na verdade. Não considero o comportamento dos coxinhas como “politicamente correto”. Eles gritam igualmente contra esse conceito, e classificam qualquer crítica a piadinhas racistas, por exemplo, como “ditadura do politicamente correto”. Mas é um consenso de natureza diferente não perceber que o caso da foto não se trata de racismo ou qualquer coisa parecida. É um risco que todos nós corremos. Ou, pelo menos, eu corro (e não tenho vergonha de admitir isso).

      Agora, eu considero o consenso do politicamente correto muito mais inofensivo do que o consenso que leva aos coxinhas a se comportarem do jeito que se comportam! Eles deixam aflorar a perversidade inerente ao homem-macaco (porque não nos considero todos nada mais que macacos que sabem construir computadores e satélites) com uma facilidade muito maior.

      • Vargas disse:

        Danilo, meu caro, entendo bem sua ponderação e posição.
        Mas, tenho que bater em meu ponto:
        A mídia familiar está definindo o que é politicamente correto quanto ao governo Dilma, Lula e o PT.
        Veja que hoje, a militância e os simpatizantes se sentem constrangidos a defender o governo publicamente.
        Poucos dão a cara para bater.

        Então, entendo também que existem muitos aspectos positivos quanto ao politicamente correto que globaliza os direitos do cidadão comum no mundo. Direitos de minorias, sempre linchadas pelos fascistas de plantão. Fascistas muitas vezes não percebem que são fascistas. Eles preferem dizer que são “conservadores”. Depois, com a idade, eles se assumem.

        Fiquemos atentos à engenharia social patrocinada pelo PIG para que fiquemos acuados em defender os avanços do programa do PT no governo, ao expor 24×7 somente a mer**. Amplificar a mer** e reduzir ou se omitir ou desmerecer qualquer aspecto positivo e qualquer avanços. Eles não gostam de números. Números deixam eles … “confusos”. rsrsrs

        Contra o cidadão comum, o 1% usa a mídia para controlar a situação.

        • Danilo Stinghen disse:

          Estamos, afinal de contas, falando da mesma coisa. “Politicamente correto” é um tipo particular de consenso. Mas ele traz conotações mais profundas, eu acho, do que os absurdos que gritam os coxinhas.

          Acabei de ter um papo longuíssimo com meus amigos sobre esse tema (o do post, não do seu comentário). Tudo se resume a um ato que, em sua essência, não tem nada de errado: vestir o piazinho de macaco. Mas o contexto da sociedade o tornou representativo de marginalização, e por mais que seja condenável crucificar os pais por esse erro de inocência, há de se admitir que associar negros a macacos com o viés de insulto é um consenso na sociedade. Um consenso criado pela intolerância. O comportamento inverso, que seria o tal “politicamente correto” (um termo cuja relevância cabe ser analisada, me parece um construto simplificado para tentar desmerecer quaisquer argumentos contrários à segregação de qualquer tipo), está longe de ser consenso, ou senso comum, para a maioria da sociedade. O que não significa que nós, que somos “politicamente corretos” ou ao menos acreditamos em igualdade e justiça social, não podemos nos tornar brutalizadores daqueles que pensam diferente. Acho que esse é o cerne da postagem do Brito. Eu, particularmente, acho que de maneira alguma o ato poderia ser classificado como racista. Mas não há como negar que, embora para os pais ele possa não o ser, para a sociedade como um todo ele ainda carrega essa conotação.

          Já o ódio contra nós, progressistas, igualitários e de esquerda, ainda não é consenso na sociedade. O consenso que se tenta criar contra nós, no entanto, é de natureza igual ao que leva os broncos capiais Brasil afora a criticar os que acreditam em igualdade. Por isso a comparação me causou estranheza.

          • Vargas disse:

            Danilo, vamos resumir.

            Que o politicamente correto é algo da esquerda, já estou literalmente careca de saber.

            O que argumento é que este conceito está sendo utilizado também para achincalhar a esquerda no Brasil.
            O consenso que vc fala é na verdade uma grande engenharia social, onde invariavelmente a ONU, o partido democrata americano e a realeza do norte europeu estão envolvidas. Vide o “consenso” de que o homem é o responsável por aquecer o planeta. Não existe nenhuma evidência científica para esta afirmação. No entanto, ela é alardeada 24×7 pela ONU, Democratas e paises do norte europeu. Uma engenharia social. Questionar isto hoje é ser politicamente incorreto. Apesar de ser uma grande farsa.
            Voltando. Eu não confundi os conceitos. Sei perfeitamente o que coloquei e assino embaixo.

            Uma prova ? Saia com camisa do PT em certos bairros de Sampa. O que eu digo é o seguinte:
            Defender o PT hoje se tornou politicamente incorreto, em função da execração pública diária que o PIG promove para acontecer exatamente isto. Não passa de uma grande engenharia social que consegue até inverter a história e fazer bonecos acreditarem que o melhor presidente foi o FHC.

  2. Carlos disse:

    Partindo deste raciocínio, aqueles manequins na cor preta pendurados de ponta cabeça em vitrine de loja também não tem nada demais… Para completar a fantasia do garoto, também lhe deram uma banana de plástico para segurar? Não vou dizer que os pais foram racistas, vou apenas lamentar a tremenda alienação e falta de noção dos mesmos. Num momento em que tantas vozes se levantam contra o racismo, quando vemos jogadores de futebol serem ofendidos até com bananas jogadas dentro do campo, me aparece isto. Falta de noção…

    • Rita disse:

      Concordo Carlos.
      Não instiguei ódio ao casal mesmo sem saber que eram os pais do menino, não os condenei, mas acredito que os pais do garoto embora não sejam racistas, são non sense mesmo…

      • Sandra disse:

        Eu achei falta de noção com o próprio filho.

        • Ricardo Lima disse:

          O carnaval deixa as pessoas meio burras, deve ser. É muita vontade de aparecer fantasiado, né? Ainda se ele se fantasiasse de hiena, va lá…acho que estou sendo preconceituoso e prejugando…

    • Leo Carioca disse:

      Vai saber o porquê, pendurar um maniquins cabeça pra baixo é sinônimo de rebaixa. GAP também pendura maniquins e não são pretos
      Abs

  3. Giovanni Riccio disse:

    Querido Fernando, permita-me dirigir-me a ti desta maneira íntima, embora tão somente tenha tido a oportunidade de conhecerte através de teus artigos nunca tendo tido a oportunidade de privar de sua companhia. E por entender que te conheço quero manifestar minha discordância e estranhamento com tua manifesta opinião acerca do fato analisado em post acima. Concordo com a análise acerca da turba que despropositadamente ofende e agride um casal, que diferente da maioria tem amor e desprendimento bastante para adotar uma criança. Essa turba não tem em mim um defensor, e sim um remador de rio acima que lamenta a falta de têmpora intelectual que a maioria das pessoas arrasta para a mediocridade. No entanto atos sociais tem conseguências para além de nossos desejos, e o analisado ato tem sim uma consequência, certamente indesejada pelos pais em questão, que é a de reforçar esteriótipos racistas que no futuro, para desgosto não só nosso, mas certamente também dos referidos pais hão de ser usados em desfavor de seu amado filho. Com respeito e admiração, Giovanni Riccio.

    • Danilo Stinghen disse:

      Eu considero esse seu julgamento um pouco arrogante. Se trata de juízo de valor. Não se pode apontar o dedo dessa maneira sem conhecer as circunstâncias! A criança pode simplesmente gostar de Aladdin. Os pais (certamente racistas não são, ou não teriam adotado um filho negro) podem simplesmente não enxergar malícia na fantasia, que só é infeliz e “inadequada” se retirarmos a ótica da leveza que leva alguém a ir fantasiado a qualquer lugar que seja…

      • Aliança Libertadora Nacional disse:

        O Tijolaço prestou um deserviço ao Brasil por repercutir Ali Kamel. Foi um quase “adotaram um negro….Já é o bastante” Absurdo….leiam Pragmatismo Politico

  4. Bernardo disse:

    Os pais só estavam se divertindo com seu filho. O politicamente correto nesse caso é mais uma hipocrisia dos justiceiros que hoje em dia infestam o país com seus discursos moralistas e falsos, seja em relação aos costumes, religiões, escolhas sexuais, politicas e raça. Aliás não existem raças humanas mas raça humana com pessoas diferentes, cor de pele diferente, características físicas diferentes mas todas pessoas. Quem assim não vê é fascista, simples. No século XX tivemos uma mostra triste do que isso significa; não podemos deixar se repetir.

  5. Luiz Souza disse:

    Este post é a prova de que questões étnicas perpassam questões políticas. Castristas e/ou bolsonarianos sempre quiseram o preto como a base da pirâmide. Bem, como estão a dizer que o “pai adotou a criança, tirando-a de um destino de crimes” – senso comum, não acham? -, justificam-se quaisquer atos de violência, pois o pai seria a redenção dum perdido. Violemos, pois!

  6. Renata disse:

    Então, para este caso vale o “eu só estava brincando….” Para todos os outros, associar negro a macaco é crime, mas aqui porque é pai e mãe, pode?
    Não podemos dizer que o casal é racista nem que não é!
    O fato de adotar crianças negras não isenta do racismo, assim como quem é pai e mãe de pessoas homossexuais são por vezes às mais preconceituosas…

    Mas sabemos que a associação entre o macaco e o negro é uma manifestação de racismo que muita gente faz sem refletir. Significa dizer que o negro não evoluiu.

    Fantasiar de Mickey e de Peppa pode sim, porque não habitam simbolicamente o mundo do renegado.

    Eu imagino no futuro esta criança percebendo que foi associada a um macaco e que “por acaso” ele é negro, associada a um macaquinho “esperto” e “ladrão”.

    Seria muito engraçado se o pai tivesse se fantasiado de macaco e deixasse para o filho o lugar de príncipe. Eu iria rir e achar original.

    Mas assim, eu acho lamentável.

    Esse é o racismo cordial à brasileira, disfarçado no carnaval,

    • Vargas disse:

      Renata,
      Só faço uma pergunta para vc: Por quê a associação de um ser humano com um macaco é tão … “explosiva” ?
      Quem forjou este “padrão” em nossa sociedade ? Quais são as raízes desde preconceito ? Por que fomos moldados assim ? Quem ou que teoria moldou ?
      Existem culturas em que o macaco é muito respeitado.
      Qual o problema ? E se fosse um cachorrinho ? Ou um veadinho ? Ou um gatinho ? teria problemas ?
      E se o menino fosse branco ? Estaria todo este barraco ?
      Meu Deus!
      Claro que não iria estar este barraco.
      É só por que é o pobre do macaco.

      • Vargas disse:

        Complementando, Renata,
        a associação de macaco com afro-descendentes só existe em nossa mente por que foi incutida por alguém.
        Naturalmente, para depreciar.
        E, nós brasileiros, somos muito suscetíveis a este tipo de “meme”.
        Cada caso é um caso. Alguém poderia explorar este nosso preconceito para nos ofender.
        Neste caso, entretanto, não vejo nada que pudesse produzir o calor que produziu.
        A empatia é uma qualidade importantíssima. O “outro”. Como se sentiria o “outro” ?
        Para saber isto, precisamos nos colocar no papel do outro.
        Então vamos inverter a cena: um casal afro-descendente, com um menino branco, loiro e de olhos azuis.
        As roupas e os personagens, os mesmos.
        Estaríamos acusando os pais de preconceito racial ?
        Duvido.

      • Renata disse:

        Vargas

        sugiro ler o texto que está no site Diário do Centro do Mundo, tem todas as respostas a estas perguntas que você fez.

        Existem culturas que respeitam os macacos. Mas o desrespeito aqui não é com o macaco, ora!

        Se fosse outro bicho e tivesse uma associação pejorativa, teria problemas sim.

        E se o menino fosse branco, claro que não teria esse barraco!!!! Porque não se jogam bananas pra jogadores brancos, nem existe dia da consciência branca.

        “Por acaso” e alguns anos de escravidão, são os negros que são expostos ao ridículo.

        • Vargas disse:

          ok, captei sua premissa nesta frase:

          ““Por acaso” e alguns anos de escravidão, são os negros que são expostos ao ridículo.”

          Mas, Renata, é isto: nós é que estamos fixando eternizando este problema. Fazendo dele um “problema eterno”, causa de divisões entre pessoas. Os afro-descendentes são injustiçados por motivos que qualquer estudante de primeiro grau saberia. Foram trazidos para cá, à força, para servir ao 1%, e foram mantidos fora dos mecanismos de ascensão social por décadas após a “libertação”.(ditados pelo próprio o 1% (PIG + classe política conservadora) ).
          Os limpinhos e cheirosos mesmo só aceitam os afro-descendentes como empregados na cozinha, como domésticas ou braçais.
          Odeiam as cotas, e políticas de igualdade.
          Temos que enxergar estas pessoas como pessoas iguais a nós, mas que devem ser apoiadas para suplantarem o que o 1% fez com eles (ponto). Acho até que algumas corporações ainda existentes deveriam ser processadas pelo crime que fizeram com a escravidão.
          Afinal, se seguirmos o dinheiro, chegaremos aos velhos e centenários culpados de sempre.

  7. Batista disse:

    De porquinho, não haveria problema para os pais, enxergariam um menino negro vestido de porquinho, pois a imagem do preconceito não completaria em suas cabeças emprenhadas e observantes, já de macaquinho, surge o problema para os pais, porque enxergariam um macaquinho, pois a imagem do preconceito se completaria em suas cabeças emprenhadas e observantes. Não se dão conta que ao enxergarem um macaquinho, o problema não está nos pais e sim em suas emprenhadas cabeças, que quando veem um menino rosadinho fantasiado de porquinho, não enxergam um porquinho.

  8. ernesto disse:

    Sigo o Deva Marchioli e voto com o relator.

    • Vargas disse:

      ??? que voto ? que Deva ? que relator ?
      Jargão e métodos de Eduardo Cunha aqui ?
      Esclareça, explicite e descreva, por favor, Ernestin

      Resposta do Ernestin: …………………………………………………………………………………………………………………………………………………..

      • ernesto disse:

        Interessante como a sua estreiteza de visão se mostra até num simples comentário. Como eu já disse, observe todo o contexto, raciocine … e você terá as respostas. De resto, parece que você também desconhece que “politicamente correto” (PC) tem um sentido definido na sociedade atual e os boboquinhas PCs são, quase todos, simpatizantes do PT, ainda que do PT genérico (PSOL, etc). Quanto a colocar bandidos na cadeia, nada mais distante dos PCs, que , em mais um ponto que os une ao PT, sempre tentam justificar os criminosos de algum modo. Mas talvez você possa chamar as pessoas que querem punir os criminosos (inclusive os políticos) de “legalmente corretos”. Pode usar a expressão, cedo-a gratuitamente. Também em termos intelectuais, a gente precisa auxiliar os menos afortunados.

        • Vargas disse:

          Ernestin, o cara que diz que o “povo” mora em Copacabana, Jardins, Higienópolis e trabalha na Paulista, e que acredita na lenda de que o FHC organizou o Brasil para o Lula, mas fica “confuso” com os números da comparação das gestões, escreveu este magnifico comentário acima, onde ele se coloca acima do Olimpo. Ele se acha a fina-flor da sociedade, educada em bons colégios, e que frequenta clubes da alta burguesia no lugar em que mora.

          Ele realmente é da turma dos “limpinhos e cheirosos”. Que privilégio conversar com esta pessoa! Meu Deus!

          Ele realmente se acha alguém privilegiado, que escreve bem pacarai. Ele é o último biscoito recheado do pacote.

          O Ernestin, sou um PC. De carteirinha. Mas também tenho opiniões próprias. Logo, o conceito de PC engenheirado de fora, passa. Mas passa sob escrutínio, entendeu ? Claro que entendeu. Afinal, um ser de suprema inteligência haveria de entender um comentário tão … como é que é mesmo ? ah… “estreito”… quá-quá-quá.

          Ernestin, vc está no lugar errado, Ernestin. Procure sua turminha, vai.

  9. renato disse:

    Em outro carnaval, eu sugiro que alguma pessoa negra desfile com seu filho branco adotivo, fantasiado de CARDEAL de NOTREDAME, e com uma coleira no piazinho corcunda ou microencefalico, e com etiqueta ( filho adotivo, fantasiado de Corcunda de NOTREDAME).
    Ultra politicamente correto..
    Assim como num insite..
    Me poupe, vou fantasiado de merda, e não quero exalar mal cheiro???
    A fantasia foi tão boa, que causou..representou muito bem…alguem dircorda, que o pai sabia o que fazia..

  10. Aliança Libertadora Nacional disse:

    Infelizmente adotar uma crianca nehra nao exime ninguem do racismo latente o dito “inocente” O garoto não poderia ter ido como Aladim? Claro que não afinal quem parecia o Aladim era o pai….a mãe a Jasmine e como crianças loiras são mais dificeis de adotar….foi “coincidencia” A ironia é que esse é o único macaco loiro conhecido. E concordo com o rapaz que disse o pai deu munição para racistas. Ainda colocou no ombro….O Jair lembra os racistas dizendo que não existe racismo….sabe aquele que chama o outro de mulato não sabendo a origem do termo vir de mula? Alguém viu algum negro de macacão nesse carnaval a não ser o filho adotado de um casal de brancos?

    • Aliança Libertadora Nacional disse:

      Me lembrou aquela garota que gritou pra todo mundo ouvir e ninguém ver, mas viram, chamando o goleiro Aranha de Macaco. …Quando lembraram ela de que era racismo…..chorando ela lembrou eles de que ela não era racista….só quando se descuidava….

  11. Carlos Hums disse:

    Falou e disse.

  12. Aliança Libertadora Nacional disse:

    Questionar essa postura alienada do pai, que poderia muito bem ser o Apu, não é exigir o “politicamente correto” o moralismo nacional ignora o racismo afinal aconteceu o que aconteceu. Não se pode execrar alguém por errar….e errou feio acabou indo pra Internet….Se arrependeu com razão e acredito ter aprendido….. absurdo é acusar de moralista quem se indigna com isso. Só quem precisava desses argumentos são os racistas assumidos e oa latentes que lhe alenta a alma por poder vacilar assim….E aquele cara que ofereceu bananas para os trabalhadores e quando foi preso disse ter sido uma brincadeira?
    Tirou seus argumentos do livro Não somos racistas bytes “Ali Kamel

  13. Marco André disse:

    Por óbvio, o gesto de adotarem uma criança negra elimina toda possibilidade de preconceito racial consciente, PONTO.

    Mas a criança NÃO está fantasiada (de pirata, super-herói ou dos bichinhos Parmalat, que todos lembram).
    Bastou colocarem um “tarbush”, comum em animais circenses ou de realejo, para representar o papel do simpático símio. A fantasia era sua própria negritude… Como o adereço que faltava, para as fantasias dos pais.
    Fosse o jovem branco, mudariam o tema das vestimentas.

    Mais que ingênuos, esses pais demonstraram ter um conceito abstrato sobre o universo ao seu redor. Jamais tiveram conhecimento da centenária, insultuosa e sórdida associação de macacos com negros? Desconhecem a razão do repulsivo lançamento de bananas, em campos europeus?

    Que o tempo contribua para que essa criança não tenha que arcar com as possíveis consequências desse estigma.

    Doloroso aprendizado para, essas sim inevitáveis, crueldades que virão pela frente.

  14. Rodolfo disse:

    Se pararmos para pensar um pouco melhor, a criança não foi fantasiada de macaco. Pior que isso: a pele negra da própria criança foi a fantasia de macaco, cuja roupa e chapéu cumpriram apenas o papel de adereços. A cor fez todo o resto no imaginário. Não me importa o que os outros pensem dessa fantasia, mas a exposição da criança a tudo isso. Quantas pessoas devem ter olhado torto para ela consternadas? Outras indignadas? Palavras ditas? Como essa criança processou essas informações? Quem tem filh@ pelo menos sabe o quanto as crianças captam tudo ao redor com uma memória de invejar. Podem até não entender, mas processam e criam-se significados. Depoimento do pai já disse que essa criança já sofreu na pele preconceito por causa da cor ao mencionar episódio em banheiro em que criança branca chama-a de sujinha, lamentável demais. É complicado, acho que o casal foi ingênuo nessa, embora os pré-julgamentos tenham sido terríveis. E por fim, o Fernando menciona que brincou muito de “macaquinho” com seus filhos e não vê nada demais: é fácil quando os filhos não possuem na própria pele o alvo das mais bizarras e estúpidas provocações e humilhações que estigmatizarão a pessoa em toda a vida numa sociedade racista.

  15. Rita disse:

    “Será que o Casal Adotante
    faria o filho de macaquinho,
    se ele fosse branquinho?”
    Brincar de macaquinho sendo branquinho é divertido e passa despercebido. Difícil é quando é brincar sendo pretinho. Simples assim.

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